Nesse cenário, o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho, afirma que os oito vencimentos anteriores haviam recebido entregas sempre superiores a 700 mil toneladas e, em média, mais de 1,1 milhão de toneladas. “A safra global 2017/18 (outubro-setembro) foi marcada por forte mudança nos fluxos internacionais do açúcar, o que ajuda a explicar o porquê de as entregas terem sido tão pequenas ao longo deste ano”, comenta.
Os números da consultoria indicam também que o aumento na produção da Índia e da Tailândia acabaram causando um excedente na exportação maior para os países do continente asiático, saindo de 9,3 milhões de toneladas em 2016/17 e chegando a 21,6 milhões de toneladas em 2017/18. Já para a América do Sul, a produção brasileira fez esse excedente cair em 29,0%, para 22,0 milhões de toneladas.
“O resultado prático destas mudanças sobre o mercado físico de açúcar é que destinos antes atendidos por exportadores do Brasil, agora estão comprando produto da Tailândia e, no futuro próximo, devem começar a importar volumes consideráveis da Índia. Entre os mercados nos quais isso ocorreu podemos destacar o Sudeste Asiático, Oriente Médio e Leste da África”, comenta.
A tendência é de essa movimentação se intensifique ainda mais no ciclo 2018/2019, fazendo com que o excedente exportável da Ásia ultrapasse o da América do Sul pela primeira vez na década.