Publicado em 09/09/2019 14h58

Cotações da soja voltam a recuar

A média de agosto caiu para US$ 8,56/bushel, ante US$ 8,85 em julho e US$ 8,61 em agosto do ano passado

As cotações em Chicago, neste início de setembro, após uma tentativa de reação,  voltaram a recuar fechando a quinta-feira (05) em US$ 8,49/bushel, contra US$ 8,59 uma semana antes. A média de agosto caiu para US$ 8,56/bushel, ante US$ 8,85 em julho e US$ 8,61 em agosto do ano passado.

Dois principais aspectos movimentam Chicago neste momento. O primeiro diz respeito à safra nova dos EUA, a ser colhida a partir deste final de setembro. Há muitas indefinições quanto ao volume a ser colhido, assim como a produtividade a ser obtida, dadas as diferenças de informações entre a iniciativa privada e as estatísticas do governo. Neste sentido, o mercado espera com expectativa crescente o relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para este próximo dia 12/09.

O segundo aspecto está relacionado com o litígio comercial entre EUA e China, o qual já dura quase dois anos. Apesar da possibilidade de um retorno das negociações entre os dois países, as compras de soja por parte da China se reduziram. Assim, até o final da corrente semana apenas 4 milhões das 6,6 milhões de toneladas programadas foram compradas pelos chineses. Em paralelo, o esmagamento de soja chinês está baixo já que o consumo de farelo diminuiu sensivelmente, devido a peste suína africana que atingiu o rebanho suinícola daquele país e de outros países asiáticos.

No final da semana o quadro melhorou um pouco diante de declarações do presidente dos EUA de que poderia haver um acordo com a China, porém, os chineses não confirmam. Além disso, parece cada dia mais claro que a China não forçaria as negociações esperando o término do mandato de Donald Trump, no final de 2020, na expectativa de que um novo governo assuma nos EUA e, com ele, venha a ser mais vantajoso negociar.

Enquanto isso, o governo dos EUA continua subsidiando seus produtores agrícolas visando compensar as perdas devidas ao litígio comercial com a China. Por sua vez, as exportações de soja por parte dos EUA não foram boas, atingindo a 95.200 toneladas na semana do 22/08, isto para o ano 2018/19, que se encerra em 30 de setembro próximo. Já para o ano 2019/20 as mesmas atingiram 353.100 toneladas. A soma dos dois anos ficou no limite inferior do esperado pelo mercado. Já as inspeções de exportação foram melhores, atingindo a 1,28 milhão de toneladas na semana encerrada em 29/08.

Aqui no Brasil, mesmo com a atuação do Banco Central, o Real continua muito desvalorizado, oscilando entre R$ 4,10 e R$ 4,20 por dólar. Este fato, associado a manutenção de prêmios interessantes em nossos portos mantém firmes os preços médios da soja.

O balcão gaúcho fechou a semana em R$ 77,62/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 83,00 e R$ 83,50/saco. Nas demais praças os lotes giraram entre R$ 72,00/saco em Sorriso (MT) e R$ 83,00/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 82,50 no centro e norte do Paraná; R$ 76,00 em São Gabriel (MS); R$ 75,00 em Goiatuba (GO); R$ 79,00 em Uruçuí (PI) e R$ 77,00/saco em Pedro Afonso (TO).

O mercado brasileiro, apesar de preços bem melhores neste momento, esteve lento durante a semana, pois já não há muita soja da safra velha disponível. E para a safra nova, os produtores esperam preços ainda melhores, o que dependerá muito do câmbio no Brasil e das negociações comerciais entre EUA e China.

Neste último caso, é fato que, diante da quebra da atual safra estadunidense de soja, as cotações em Chicago deveriam estar bem mais elevadas caso não houvesse o conflito comercial entre os dois países.

Enfim, vale destacar que os prêmios nos portos brasileiros fecharam a primeira semana de setembro oscilando entre US$ 1,15 e US$ 1,40/bushel, demonstrando estabilização nestes níveis nas últimas semanas.

Autoria: CEEMA / UNIJUI

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