Publicado em 31/10/2019 11h40

Ásia pressiona produção de açúcar, contribuindo para déficit global mais acentuado

A oferta mais enxuta, combinada à expectativa de uma demanda ligeiramente maior - em 186,5 milhões de toneladas

Após condições climáticas desfavoráveis impactarem os canaviais na Índia e na Tailândia, a INTL FCStone espera que a safra global 2019/20 apresente uma redução de 3,5% na disponibilidade de açúcar, quando comparada à 2018/19, resultando em uma oferta de 178,8 milhões de toneladas, queda de 1,5 milhão de toneladas em relação ao levantamento anterior, divulgado pelo grupo em agosto.

A oferta mais enxuta, combinada à expectativa de uma demanda ligeiramente maior - em 186,5 milhões de toneladas (alta anual de 0,8%), amplia o saldo deficitário da commodity ao redor do globo para 7,7 milhões de toneladas, de acordo com revisão divulgada nesta quinta-feira (31) pela INTL FCStone durante evento em São Paulo. A estimativa anterior estava em 5,5 milhões de toneladas.

O grupo espera que os estoques de açúcar fiquem em 71,8 milhões de toneladas ao fim do ciclo atual, levando a relação estoque/uso em 38,5% - proporção que representa o menor nível desde 2011/12.

Pelo lado da oferta, a Índia se posiciona como um dos principais destaques do mercado de açúcar, com registros de chuvas excessivas em importantes estados produtores. Maharashtra parece ter sido a principal região impactada, já que o volume ocorrido durante as monções alcançou 1.199,4 mm, crescimento de 19,1% frente à média histórica. A produção indiana foi revisada para 26,9 milhões de toneladas, retração de 18,3% no comparativo safra-a-safra.

Para Tailândia, as expectativas de que as condições climáticas se mostrariam desfavoráveis ao desenvolvimento dos canaviais foram confirmadas. Ainda que as precipitações tenham se mostrado acima da média em agosto, os volumes ocorridos foram divergentes dentro de cada região, especialmente na parte Central do país asiático. Com base na redução na área destinada à cana, a estimativa de produção de açúcar do país se manteve em 13,2 milhões de toneladas, volume 11,2% inferior em relação ao ciclo 2018/19.

Na Europa, a produção de beterraba deve seguir direções distintas nos principais players. Também pautada por clima desfavorável à cultura, a produção da União Europeia deve ser mais enxuta do que o esperado anteriormente, agora em 16,5 milhões de toneladas, queda anual de 3,5%.

Destaca-se que na divulgação mais recente do acompanhamento agroclimático na região, a Comissão Europeia revisou para baixo a estimativa de produtividade para o bloco, para 71,3 t/ha. Ainda que acima de 2018/19, esse valor é 1,2% inferior ao número projetado em setembro e se posiciona 5,1% abaixo do rendimento médio dos últimos 5 anos.

Já em relação às Américas, o México é um dos principais destaques da revisão do grupo, com redução expressiva da produtividade agrícola, estimada em 6 milhões de toneladas (valor bruto) de açúcar, queda de 6,6% no comparativo anual.

No Centro-Sul brasileiro, espera-se que usinas ampliem o mix açucareiro em 2,8 pontos percentuais frente a 2019, para 37,4%, resultando em uma produção de 27,5 milhões de toneladas (tel quel³) de açúcar na colheita de 2020, volume 5,8% acima do observado na ano anterior.

5ª revisão para o saldo global de açúcar da safra 2018/19

Com base no andamento da safra sucroalcooleira do Centro-Sul do Brasil ao longo da colheita de 2019, bem como por conta da atualização de números oficiais nos demais polos produtores do mundo, a INTL FCStone projeta que a produção total de açúcar no mundo tenha ficado em 185,3 milhões de toneladas. Embora 3,0% inferior ao ciclo 2017/18, esse valor supera em aproximadamente 0,4% o número apresentado na última publicação.

Com a demanda se posicionando em 185,1 milhões de toneladas, destaca-se que o saldo passou de um déficit de 0,6 milhão de toneladas para ligeiro superávit, de 0,2 milhão de toneladas. Com isso, os estoques ao fim de setembro/19 se elevaram para 79,5 milhões de toneladas, fazendo com que a relação estoque/uso no último ciclo tenha se posicionado em 43,0%.

Autoria: UDOP - União dos Produtores de Bioenergia

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