Coronavírus foi feito em laboratório? Foi liberado na China?
Publicado em 22/04/2020 17h40

Coronavírus foi feito em laboratório? Foi liberado na China?

Análises genômicas mostram que o SARS-CoV-2 (COVID-19) também é de origem animal
Por: Leonardo Gottems | Agrolink

“O SARS-CoV-2 (COVID-19) não é um vírus artificial, mas surgiu por seleção natural de outros do gênero Betacoronavirus, dentro da família Coronaviridae”. A afirmação é de dois dos maiores cientistas de Biologia mundiais, Carlos Briones (da Sociedade Espanhola de Virologia), e Juli Peretó, do Instituto de Biologia da Universidade de Valência.

“Ao contrário dos formadores de opinião, os cientistas confiam nos dados e no pensamento racional. Assim, depois de comparar esse vírus em escala molecular com outros vírus relacionados que foram caracterizados nas últimas décadas (desde que o primeiro coronavírus foi descrito em 1965), eles nos dizem exatamente o contrário”, apontam os especialistas em artigo publicado no Portal Conversation.

De acordo com eles, o genoma mostra diferentes porcentagens de similaridade de sequência em relação aos outros seis coronavírus humanos conhecidos. Entre eles, dois que se tornaram tristemente famosos nos primeiros anos deste século: SARS-CoV-1, que causou a epidemia de síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2002, e MERS-CoV, que produziu a epidemia de Síndrome respiratória no Oriente Médio em 2012.

“A análise de sequências genômicas mostra que, como os outros coronavírus humanos, o SARS-CoV-2 também é de origem animal. Representa um novo caso de zoonose, ou seja, uma infecção produzida através de um ‘salto hospedeiro’ do patógeno de outra espécie animal para a nossa”, explicam os cientistas.

Liberado na China?

Outra teoria da conspiração derrubada pelos cientistas espanhóis é a de que a origem da pandemia de COVID-19 foi um laboratório no Instituto Wuhan de Virologia. “Este Centro trabalhou com o coronavírus de morcego BatCoV RaTG13. Mas, como o eminente virologista Edward H. Holmes (pesquisador da Universidade de Sydney, Austrália, e autor de vários artigos sobre a origem do SARS-CoV-2), dada a grande distância genética já discutida, é evidente que esse vírus do morcego não pode ser o antecedente direto daquele causador da pandemia de COVID-19”, apontam os autores. 

Rasmus Nielsen, geneticista da Universidade da Califórnia (Berkeley), indicou que os dois vírus são "tão parecidos entre si quanto uma pessoa e um porco”. “Muitos vírus, incluindo coronavírus, HIV e o vírus do resfriado comum, contêm fragmentos genômicos semelhantes adquiridos em algum ponto distante de seu passado evolutivo, mas não há nada de extraordinário nisso. Diante de toda essa série de trotes, a OMS teve que tomar medidas para, novamente, lembrar que a origem mais provável do coronavírus SARS-CoV-2 é a infecção de animais não humanos”, concluem os cientistas espanhóis.