No período de cria, quando os filhotes ainda são amamentados pela mãe, recomenda-se o uso do creep-feeding, um espaço restrito para alimentação exclusiva desses animais. As instalações são feitas de modo que somente os cordeiros possam ter acesso aos cochos, onde é servida suplementação (ração ou concentrado).
O pesquisador da Embrapa, Fernando Reis, explica que os cordeiros podem começar a consumir alimentos sólidos a partir do décimo dia de vida, em quantidades muito pequenas. “Eles adquirem o hábito de ingerir alimentos sólidos muito cedo, logo nos primeiros dias de vida, observando as mães pastejarem. Porém o consumo deve se iniciar após o décimo dia e a quantidade varia de acordo com cada animal”. Reis alerta sobre a importância de o comedouro possuir espaço suficiente para o acesso simultâneo dos animais evitando competição e restrição ao suplemento. “Cerca de 10 a 15 centímetro lineares por cordeiro já é suficiente. Higiene geral e água de qualidade disponível são fundamentais”.
Além de melhorar o desempenho das crias, o creep-feeding também auxilia no rápido retorno das matrizes à condição reprodutiva, antecipando sua próxima parição. Isso ocorre porque os filhotes que recebem suplementação diminuem o ritmo das mamadas e as mães podem se recuperar mais cedo para a estação de monta.
A técnica pode ser utilizada ao longo de todo o ano, a partir da parição das ovelhas. Mesmo em estações frias ou chuvosas é possível adotar o creep-feeding, desde que sejam observadas a segurança e a adequação das instalações para os recém-nascidos.
Relação custo x benefício satisfatória
Para o pesquisador da Embrapa, as despesas com as instalações e com a alimentação dos cordeiros apresentam uma relação custo/benefício satisfatória. “Em média, o consumo de ração durante o período de creep-feeding é de 200 g/dia, considerando uma desmama dos cordeiros aos 60 dias de vida. O ganho de peso pode chegar a 300 g/dia e o peso à desmama superar 20 kg de peso vivo. As instalações podem ser adaptadas e construídas, tanto em ambientes internos quanto externos, com materiais muitas vezes existentes nas propriedades. A elaboração do suplemento também pode ser feita na propriedade, embora seja recomendado observar com critério a origem e condições dos ingredientes usados” explica.