Publicado em 22/01/2015 10h18

Algodão brasileiro perde espaço para os EUA

O último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sinaliza temores sobre a demanda global do algodão, devido à desaceleração de compras da China. No Brasil, a redução de área plantada fez com que o produto nacional perdesse espaço para o norte-americano.

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Só na região do Mato Grosso, maior estado produtor, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que 80,4 mil hectares deixarão de ser plantados para a temporada de 2014/2015, resultado correspondente a 12,5% da área.

"Os Estados Unidos estão com uma produção maior e o Brasil com uma área menor, logo, os preços do produto brasileiro podem subir um pouco, o que influencia a opção dos chineses", explica o analista do Safras & Mercados, Cezar Marques.

Segundo o USDA, os americanos devem produzir 16,1 milhões de fardos na atual temporada, que termina em 31 de julho, aumento de 25% sobre o volume da safra anterior. Em torno de 441,8 mil fardos deste período foram vendidos na semana encerrada em oito de janeiro, já descontados os cancelamentos. É a maior quantidade registrada na atual temporada, que teve início em agosto. Deste total, a China comprou 184,5 mil.

Sobre os estoques globais, o relatório estima a soma de 108,6 milhões de fardos no encerramento da temporada, um volume recorde. Porém, Marques destaca que boa parte deste volume é de baixa qualidade, mantendo a expectativa de preços melhores por parte dos produtores rurais.

"Agricultores que tiverem produto de alta qualidade vão conseguir realizar bons negócios no Brasil", completa.
 

Auxílio

O ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e atual membro do conselho consultivo, Milton Garbugio, conta que o algodão é comercializado na média de R$ 50 por arroba, enquanto o preço mínimo estabelecido pela Conab é R$ 54,90 para o estado.

"A situação no mercado internacional é complicada e aqui o ganho do produtor não supera nem os custos de produção. Vamos pedir o aumento do preço mínimo para R$ 61", afirma o representante do setor. Garbugio lembra que o valor atual foi reajustado em 2014, após dez anos sem alterações, e reconhece que a política macroeconômica do governo federal está mais restrita, o que deve dificultar as negociações junto ao Ministério da Agricultura.

Outras culturas, como o trigo, devem pedir reajuste do preço mínimo na pasta, fato que também agrava a modificação dos valores estabelecidos pela Conab.

O Brasil é o quinto maior produtor de algodão do mundo, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Paquistão, e deve produzir cerca de 1,5 milhão de toneladas nesta safra, mesmo com a diminuição de área plantada.
 

Autoria: Diário do Comércio & Indústria

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