No início da pandemia do novo coronavírus, a Divisão de Ciências da Terra da NASA decidiu financiar novos projetos para examinar como o período de distanciamento social está mudando o ambiente, especialmente a atmosfera terrestre. Ainda não existe uma conclusão definitiva, contudo mapas mostram a redução da poluição do ar em todo o mundo, devido a paralisação das atividades e a diminuição na movimentação de pessoas.
Apesar dessa expectativa positiva no combate ao aquecimento global, infelizmente na Amazônia a situação é diferente. Os alertas de desmatamento na floresta amazônica, monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cresceram 34,5% entre agosto de 2019 e julho de 2020 em comparação ano mesmo período no ano anterior. Segundo o sistema Deter, entre 1º de agosto de 2019 e 31 de julho de 2020, foram desmatados 920mil hectares ante os 684 mil hectares observados nos 12 meses anteriores, ou 35% de aumento.
Esse processo se intensifica entre os meses de maio e agosto devido ao tempo ser seco, o que favorece os movimentos de grilagem para fins de ocupação de terra. A pastagem em geral é a primeira atividade a ser implementada após a retirada da madeira. A questão é que, em tempos de pandemia, o “período do fogo” e o pico da Covid-19 no país coincidiram.
Contudo, ao contrário do que muitos falam, existem esforços de entidades setoriais e da cadeia produtiva do agronegócio e do MAPA para viabilizar o desenvolvimento regional sustentável, ou seja, respeitando e preservando os biomas e os recursos naturais, o código Florestal, além de trabalhar a questão social e a econômica. A NWF, National Wildlife Federation, tem desenvolvido e apoiado diversos trabalhos neste sentido, por exemplo.
Tecnologias e sistemas que tragam justamente equilíbrio entre produção e conservação vem sendo adotados em escala cada vez maior em todo o país. Um bom exemplo é o iLPF - integração-Lavoura-Pecuária-Floresta, desenvolvido pela Embrapa. Esse sistema aumenta a rentabilidade na mesma área de produção, e isso significa aumentar de produtividade sem que haja a necessidade de desmatamento para o crescimento da produção agrícola e pecuária. Dessa forma há equilíbrio entre a rentabilidade do negócio, o meio ambiente e a sociedade no campo (tripé da sustentabilidade). Trata-se de uma tecnologia bastante eficaz também para sanar problemas referentes a pastagens com espaços descobertos, ralas e degradadas, e que estão sujeitas às plantas invasoras e cupinzeiros.
Outro sistema é o pastejo rotacionado que vem sendo difundido em vários projetos no bioma Amazônia. Nesse sistema, o gado se alimenta em pequenas parcelas de pasto, normalmente divididas com cerca elétrica, e quando termina o consumo de uma parcela, as cabeças são movidas para a próxima parcela. O intervalo de “descanso” que é dado a cada parcela permite reestabelecimento do pasto e a manutenção das qualidades do solo, propiciando que os pastos durem por 20 anos ou mais.
De acordo com um estudo publicado pela revista Science em 2019 o Brasil tem cerca de 50 milhões de hectares de áreas degradas que podem ser aproveitadas para a pecuária. Fazer uso dessas áreas é ser sustentável, e temos todas as condições para isso.