Publicado em 15/10/2020 16h41

Sustentabilidade da atividade leiteira está no valor agregado do produto entregue ao consumidor

Encontro on-line do projeto "Caminhos do Agro SP" mostrou como a adoção de tecnologia melhora a produção e promove a segurança alimentar

Produzir mais sem aumentar os recursos naturais disponíveis e superar as margens de lucro apertadas são alguns dos desafios da produção leiteira. Para manter-se competitivo na atividade e dar sustentabilidade aos negócios, uma das saídas é entregar ao consumidor, que está cada vez mais exigente, um produto com maior valor agregado, como o leite A2A2, que possui uma maior digestibilidade, e o orgânico. Este foi um dos pontos debatidos na live das cadeias produtivas sobre o leite do “Caminhos do Agro SP”, projeto realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo em conjunto com a TV Cultura, InvestSP, Fundag e a iniciativa privada.

Com um rebanho de 725 mil vacas em lactação, o estado de São Paulo atingiu 1,8 bilhão de litros de leite no ano passado. O valor bruto da produção alcançou R$ 2,7 bilhões. Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, com a adoção de tecnologia e evolução na atividade, o estado tem buscado melhorar a produção e a renda do produtor, levando a segurança alimentar não só para os paulistas, mas para o Brasil e o mundo.

Para ele, a questão do leite funcional, seja ele orgânico ou A2A2, está alinhada à busca crescente que o consumidor mundial tem por alimentos mais saudáveis e do conceito do “alimento como remédio”. “São Paulo detém 6% da produção nacional e um produto de altíssima qualidade, de ótimo sabor e muito valor agregado. Há uma demanda devido às mudanças dos hábitos alimentares e tendências nutricionais. O produtor vencedor não é o maior, mas sim aquele que se adapta mais rapidamente às necessidades do consumidor. Com o avanço da qualidade e da padronização, a exportação também é um mercado que tem muito a crescer”, comentou.

Por isso, as pesquisas devem ser voltadas ao produtor sempre com foco o consumidor. É o que enfatizou o pesquisador e diretor do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite do IZ – Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Luiz Carlos Roma Júnior. “Nossas pesquisas são voltadas para a transferência de conhecimento a fim de melhorar a produção de leite, a margem de lucro, a qualidade e a saúde do consumidor”, reforçou.

Produzir mais leite por hectare

Representando o elo do produtor na cadeia produtiva, a live contou com a participação de Roberto Jank, diretor-presidente da Agrindus, empresa familiar localizada em Descalvado (SP), que está na terceira geração, figura entre as cinco maiores produtoras de leite do país e é pioneira na produção de leite A proveniente de vacas A2A2. Para ele, produzir leite ainda é um desafio grande, porém se trata de um dos produtos do agro com grande potencial a ser explorado. Para que o mercado brasileiro mantenha-se em padrões de qualidade equivalentes aos internacionais é necessário usar melhor os recursos e produzir mais por hectare.

“Agora é hora de agregar valor e produtividade. Temos a capacidade de produzir de 30 a 50 mil litros por hectare, ou seja, uma pequena propriedade de 5 hectares é capaz de produzir 250 mil litros/ano. Aumentamos o consumo per capita para 170 litros, de 1995 para cá, um índice bastante alto. Além disso, a produção de queijos é um  mercado a se explorar, visto que os europeus consomem 28 quilos por ano ante 4,5 quilos dos brasileiros”, completou.

Leite orgânico: atende demanda do consumidor e melhora renda do produtor

Pesquisas recentes mostram que 20% da população brasileira já consomem pelo menos algum tipo de alimento orgânico no cardápio. A produção de leite orgânico veio para atender esta demanda crescente. É o que afirmou a gerente da área de Criação de Valor Compartilhado da Nestlé, Taissara Martins.

A Nestlé apresentou um projeto que busca apoiar a conversão de fazendas para a produção de orgânicos em 2016. Atualmente, são 49 fazendas nas regiões de São Carlos e Araçatuba, que representam mais de 32 mil litros produzidos por dia.

Questionada sobre a possível “rivalidade” de mercado entre os diferentes tipos de leite, ela foi enfática. “Para algumas famílias vai ser mais interessante o leite ‘zero lactose’; para outras, o orgânico, ou ainda o A2A2 ou o integral convencional. Não importa, pois a ideia é incentivar consumo de leite e falar de todos os benefícios que são tão importantes para os consumidores brasileiros. A cadeia é única e todos nós somos consumidores”, reforçou.

“Caminhos do Agro SP” 

O projeto “Caminhos do Agro SP” é resultado de uma parceria entre InvestSP, Fundag, TV Cultura, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a iniciativa privada. Os episódios podem ser acompanhados nos canais do YouTube da Secretaria de Agricultura e Abastecimento: https://www.youtube.com/agriculturasp e da TV Cultura: https://www.youtube.com/cultura

AGENDA CAMINHOS DO AGRO SP

21 de outubro: Episódio 6 – Agro Seguro

28 de outubro: Live 5 - Citricultura04 de novembro: Episódio 7 – Comercialização

11 de novembro: Live 6 - Papel e Celulose

18 de novembro: Episódio 8 – Consumo

25 de novembro: Live 7 – Olericultura

02 de dezembro: Episódio 9 – Exportação

09 de dezembro: Live 8 – Soja

16 de dezembro: Episódio 10 – Conectividade

Autoria: Assessoria de Imprensa

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