As cotações da soja em Chicago recuaram novamente nesta semana, com o fechamento desta quinta-feira (18) rompendo o piso dos US$ 14,00/bushel e se estabelecendo, para o primeiro mês cotado, em US$ 13,92, contra US$ 14,15/bushel uma semana antes. A pressão da colheita sul-americana se faz sentir, apesar de algumas quebras locais até importantes, enquanto o mercado começa a precificar o aumento de área semeada nos EUA, que deverá vir no relatório de intenção de plantio do próximo dia 31/03.
Nos EUA, os embarques de soja, na semana anterior, atingiram a 518.789 toneladas, ficando dentro das expectativas do mercado. No acumulado do ano comercial, o total embarcado soma 53,1 milhões de toneladas, contra 30,5 milhões na mesma época do ano passado. O total esperado de embarques pelos EUA, neste ano 2020/21, é de 61,2 milhões de toneladas.
Por outro lado, além da entrada da safra sul-americana, as condições do rebanho suinícola chinês teriam piorado, com o surgimento de novos surtos de Peste Suína Africana em um momento que a atividade estava em recuperação. As fortes baixas nos valores do farelo de soja em Chicago, nestas últimas semanas, estariam ligadas a isso. Efetivamente, nos últimos 30 dias, até o dia 17/03, o subproduto perdeu 6,2% de seu valor naquela Bolsa, voltando a patamares que não se via desde meados de dezembro passado.
Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA apontou que o processamento de soja, em fevereiro, atingiu a 4,22 milhões de toneladas naquele país. O volume foi o menor em 17 meses e é 7% menor do que o registrado no mesmo mês de 2020. O total de soja esmagada pelos EUA ficou ainda abaixo das expectativas do mercado e abaixo da mínima destas projeções.
No Brasil, os preços cederam um pouco nesta semana, a partir de um recuo do câmbio, com o Real ficando ao redor de R$ 5,50 a R$ 5,60 por dólar. Além disso, o aumento de 0,75 pontos percentuais na taxa Selic deve levar a um processo de revalorização do Real, especialmente porque o Copom indicou que novos aumentos da Selic virão nas próximas reuniões. A tendência é que este juro básico feche 2021 em 6% e até acima disso. Em o Real se valorizando, os preços da soja em moeda nacional tendem a recuar caso Chicago permaneça estável.
Assim, nesta semana, a média gaúcha recuou para R$ 162,46/saco (ainda sem o efeito do aumento da Selic), contra R$ 85,11/saco um ano atrás, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 152,00 em Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 158,50/saco no Paraná. E isso, mesmo com preocupações quanto a possibilidade da safra brasileira vir a ser menor devido ao excesso de chuvas no Centro-Norte do país neste momento da colheita, após o atraso no plantio devido a seca. Neste sentido, a Aprosoja Brasil avança estimativa de apenas 128,6 milhões de toneladas, enquanto alguns analistas ainda mantêm estimativas ao redor de 134 milhões de toneladas (o USDA estima 134 milhões, enquanto a Conab indica 135,1 milhões de toneladas). Lembrando que na safra anterior o país colheu 124,8 milhões de toneladas.
Em termos de exportação, a Abiove projeta 84 milhões de toneladas neste ano comercial brasileiro. Obviamente, muito disso irá depender do esmagamento nacional da oleaginosa. Neste momento, a Abiove projeta 47 milhões de toneladas trituradas no atual ano comercial. Segundo a Secex, nas duas primeiras semanas de março o Brasil exportou 5,1 milhões de toneladas de soja, com um aumento de 4% sobre o mesmo período do ano passado. Este ritmo indica que aos poucos o país vai ingressando na normalidade em termos de exportação de soja.
Por enquanto, até o dia 12/03, o país havia embarcado pouco mais de 10 milhões de toneladas neste ano comercial, contra 11,6 milhões no mesmo período do ano passado. Do total até aqui exportado, 8 milhões tem por destino a China.
Enfim, a colheita, até meados de março, indicava que o país teria chegado a 53% da área total, confirmando o forte atraso na mesma em relação ao ano anterior. Já em relação a média histórica, segundo a Datagro, o atraso caiu para apenas 3,5%. O Mato Grosso teria atingido a 80% da área, o Paraná 58%, o Rio Grande do Sul 2% e o Mato Grosso do Sul pouco mais de 60%.