As cotações do trigo em Chicago, registraram leve recuo. O fechamento da quinta-feira (18) ficou em US$ 6,30/bushel, contra US$ 6,36 uma semana antes. As exportações estadunidenses do cereal, na semana encerrada em 4 de março, somaram 329.500 toneladas, ficando 4% abaixo da média das quatro últimas semanas. Já na semana seguinte o volume exportado atingiu a 683.492 toneladas, ficando acima do esperado pelo mercado.
O principal comprador do trigo estadunidense tem sido o México. Aqui no Brasil, em plena entressafra, os preços do cereal se mantêm firmes, agora com viés de alta novamente. O balcão gaúcho fechou a semana com a média de R$ 77,98/saco, contra R$ 44,68 um ano antes. No Paraná, o saco do produto girou ao redor de R$ 80,00 durante a semana.
As negociações estão lentas no mercado brasileiro, com os compradores esperando o enfraquecimento do dólar diante do Real (fato que pode começar a ocorrer a partir da elevação da Selic), o que favoreceria as importações de trigo. Quanto ao futuro plantio, graças a valorização do cereal, o custo em sacos do produto deverá ser menor neste ano. Além disso, a melhoria genética das sementes permite menores perdas para os problemas climáticos e doenças. Espera-se uma economia de 390 quilos de trigo grão por hectare para pagar o custo no Paraná, embora o aumento de 30% nos custos variáveis. (cf. Fundação ABC)
Já o Deral paranaense calcula que, mesmo com o aumento dos custos de produção na ordem de 31,5%, se a produtividade média ficar em 3.500 quilos/hectare, a redução será de 17% nos custos em sacos de trigo em relação ao ano anterior. O cenário é positivo também no Rio Grande do Sul. Segundo a Fecoagro, os custos de produção subiram 21,8% sobre 2020, porém, se os preços se mantiverem nos atuais níveis e a produtividade for normal, o produtor ainda terá lucro interessante com o cereal.
Enfim, a indústria que fabrica produtos derivados da farinha de trigo espera crescer entre 3% e 5% neste ano. Isso significaria maior demanda pelo cereal, fato que manteria os preços elevados. No entanto, o primeiro trimestre do ano não foi bom, com o recrudescimento da pandemia do Covid-19 e sem o auxílio emergencial (que deve voltar em abril, porém, para menos gente e com valor médio menor, de R$ 250,00/pessoa). Ao mesmo tempo, os preços dependerão também da produção final que o país conseguirá neste ano, além do câmbio, que deve valorizar um pouco o Real,e seus efeitos nas importações de trigo.