Pela primeira vez a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) traçaram o desempenho do setor de flores no país. Em 2020 houve grande impacto com as restrições da pandemia. Enquanto as flores de vaso e plantas ornamentais cresceram entre 10 e 12%, o segmento de flores de corte acumulou prejuízo de 800 milhões com a suspensão de eventos, sendo R$ 150 milhões de impacto somente para os produtores.
As flores de corte correspondem às plantas cultivadas com objetivo de utilizar suas hastes florais cortadas para uso principal em composições florais, como as rosas. As folhagens de corte, por sua vez, são as partes aéreas das plantas, como ramos, folhas e frutos, com utilidade decorativa. Já as flores e plantas de vaso são aquelas cultivadas em recipientes cerâmicos ou plásticos com foco no valor de suas flores ou folhagens, a exemplo das samambaias e violetas. Por fim, o segmento de plantas ornamentais corresponde àquelas inseridas e usadas integralmente nos ambientes a que se destinam, como por exemplo, gramas e tuias.
O setor buscou adaptar-se à nova realidade, assim houve forte expansão do comércio eletrônico e uso progressivo de plataformas de entrega, que permitiram a retomada de boa parcela dos negócios, em especial pelos produtores com maior estrutura.
O ano de 2021 começa com recuperação. Segundo dados do Agrostat, foi detectado, nos primeiros três meses de 2021, a exportação de 270 toneladas de plantas vivas e produtos de floricultura, o que representou US$ 2,3 milhões. O quantitativo exportado foi 92% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 141 toneladas. Em comparação com o mesmo trimestre de 2019, foram escoadas 155 toneladas de produtos, representando um acréscimo de 75%.
No contexto internacional, à exceção dos Países Baixos, grandes players como Quênia, Etiópia, Colômbia e Equador experimentaram maior dificuldade em manter os envios para a Europa e os Estados Unidos, reflexo das medidas sanitárias adotadas nessas regiões, que impactaram desde a esfera produtiva à cadeia de operações, além do alto custo associado à menor disponibilidade do transporte aéreo em determinados momentos.
De janeiro a março, os produtos de floricultura demonstraram maior representação na exportação, cerca de 188.981 kg de um total de 270.802 kg, composto por bulbos, tubérculos, rizomas, flores de corte frescas; folhagens, folhas e ramos de plantas cortadas frescas; além de mudas e plantas ornamentais. As plantas vivas não ornamentais, 66 incluindo mudas compõem o restante do grupo.
Os principais destinos, no primeiro trimestre de 2021, foram: Uruguai, Estados Unidos e Países Baixos. Em 2020, no período analisado, destacaram-se os mesmos países, e também a Itália. Cabe destacar que a exportação no Mercosul é favorecida pela ausência de barreiras tarifárias e pela proximidade geográfica que reduz os custos logísticos e abre a possibilidade para outros modais de escoamento.
O Brasil conta, atualmente, com cerca de 8 mil produtores de flores e plantas. Juntos, eles cultivam mais de 2.500 espécies com cerca de 17.500 variedades. Sendo assim, o mercado de flores é uma importante engrenagem na economia brasileira, responsável por 209.000 empregos diretos. O setor também contabiliza cerca de 800.000 empregos indiretos.
A produção está fortemente concentrada no estado de São Paulo, particularmente nas regiões de Atibaia e Holambra. Atualmente, em termos nacionais nota-se crescimento de outros pólos florícolas no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal e na maioria dos estados do Norte e do Nordeste.