Um estudo da Embrapa mostrou o excelente desempenho do sorgo para grãos no Semiário. Testes com variedades híbridas alcançaram mais de 5.000 quilos de produtividade de grãos por hectare, quase duas vezes superior à média brasileira, que fica entre 2.600 e 2.800 quilos por hectare.
O resultado mostra o potencial do sorgo granífero para a região que pode ser opção de renda e usado para complementar o milho na alimentação animal. A pesquisa agrega ainda mais valor a esse cereal, já reconhecido pela versatilidade na alimentação de rebanhos, nutrição humana e produção de etanol.
O cereal, embora tolerante à seca, ainda ocupa pouco espaço no Nordeste e precisa de mais divulgação. Atualmente, as regiões Centro-Oeste e Sudeste respondem por 90% da produção nacional.
Segundo estudos de viabilidade econômica desenvolvidos pela Embrapa produtividades acima de 2.750 kg/ha de sorgo na safra já cobrem custos fixos da cultura, sendo os resultados promissores para o grão. “Com uma produtividade acima de 4.000 quilos por hectare, já é possível para o produtor obter lucro”, destaca o melhorista Fernando Guedes, pesquisador de Melhoramento Genético Vegetal da Embrapa Caprinos e Ovinos.
Esses resultados se assemelham ainda à média de produtividade na Argentina (superior a 4.500 kg/ ha), país que figura entre os grandes produtores e apresenta os maiores rendimentos médios de grãos de sorgo no mundo.
Junto com cultivares comerciais da Embrapa já indicadas para o Semiárido, o estudo realizado no campo experimental da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) utilizou 47 genótipos híbridos, que mostraram bom potencial nas safras de 2018 e 2019 para se tornarem cultivares no futuro, de sorgo granífero. Desse material, 19 genótipos foram considerados aptos para produção de grãos no Semiárido, com produtividade que variou entre 3.000 e 7.000 quilos de grãos por hectare, superior à média brasileira.
De acordo com o líder da equipe da pesquisa, o engenheiro agrônomo Cícero Menezes, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (MG), o desempenho dos híbridos testados em Sobral é “surpreendente”. “O ideal é continuar testando esses híbridos de maior produtividade, de preferência em áreas experimentais maiores, realizando unidades de observação, assim como dias de campo para apresentar os resultados aos produtores locais”, aponta.