As sementes do Projeto Semeando nas Aldeias estão começando a crescer na Água Porã Pacheca, local onde vivem sete famílias Guarani, em Camaquã, que são assistidas pela Emater/RS-Ascar e a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). Os indígenas receberam sementes de milho, feijão e hortaliças (abóbora, melão, melancia, moranga, mogango e repolho) e alguns, como os que vivem em Camaquã, plantaram e estão acompanhando as plantas crescerem.
Para a extensionista rural da Emater/RS-Ascar em Camaquã, Charlise Nunes, esse projeto veio em um ótimo momento para assegurar a segurança e soberania alimentar das famílias indígenas. "É gratificante ver que as famílias estão plantando seu alimento com qualidade e melhorando a qualidade de vida, além da motivação que todos têm mostrado para trabalhar na terra e incentivar a quem faz parte da aldeia a cuidar do seu alimento", salienta.
O indígena Paulo Fernandes, da Aldeia Ygua Porã, da localidade de Pacheca, disse estar muito feliz por receber as sementes, porque desde que perdeu um dos filhos, há dois anos, não sentia mais vontade de fazer nada. "Eu voltei a pensar pelo menos em plantar algumas coisas e graças a Deus hoje eu levantei e pensei, eu não vou perder a minha esperança de vencer e viver com a minha família, assim vou estar feliz", reflete o indígena.
Assim como essa aldeia em Camaquã, outras 151 aldeias Charrua, Guarani, Kaingang e Xokleng Konglui, distribuídas em 68 municípios do Estado, são beneficiárias do Projeto. Segundo a responsável pelo projeto na Emater/RS-Ascar, Mariana Soares, o objetivo é somar esforços para viabilizar e/ou ampliar a autonomia das famílias indígenas na produção e diversificação de alimentos limpos e saudáveis para o autoconsumo, buscando contribuir para a sua segurança e soberania alimentar e nutricional, sua renda não monetária e a melhoria das suas condições de vida.