A perda de fôlego se explica pela ausência da soja nos embarques. A safra atual, 2014/15, acumula atrasos desde a sua semeadura, em meados de setembro do ano passado, que reverberaram sobre a colheita e o escoamento. Além da imposição do clima, que retardou todo o processo da safra, o segmento sofreu com a paralisação dos caminhoneiros, ocorrida entre o final de fevereiro e início deste mês.
O grão, que é o carro-chefe das exportações estaduais, teve queda de quase 75% em relação ao primeiro bimestre do ano passado. Conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), entre janeiro e fevereiro, os embarques de soja em grão somaram US$ 146 milhões contra US$ 581 milhões em igual acumulado de 2014. Com esse volume de negócios, a oleaginosa foi o terceiro produto da pauta local mais movimentado no primeiro bimestre e responsável por 11,48% da receita total de Mato Grosso. No ano passado, por exemplo, nesse mesmo momento a soja tinha participação de 32% e liderava a preferência do mercado. A expectativa é que o mês de março, que tradicionalmente é marcado por intensa movimentação do grão, quebre recordes para compensar o represamento do escoamento, tanto por fatores climáticos e logísticos, como pela paralisação dos transportadores de cargas.
O atraso nas exportações da soja fica evidente com os números referentes a fevereiro. Enquanto que no ano passado o mês fechou com faturamento de US$ 992,34 milhões, em 2015 ele caiu em 41%, ao somar US$ 585,60 milhões. A receita de toda a pauta estadual no mês passado equivale ao saldo de vendas apenas da soja no ano passado, por exemplo. Fevereiro de 2013, ano atípico, quando se pôde antecipar bastante o plantio e a colheita da soja, fechou com US$ 1,08 bilhão e fevereiro de 2012 com US$ 681,69 milhões.
Outra particularidade do mês passado, é que na série histórica local, elaborada pelo Mdic, esse momento sempre supera, em cifras, a receita do mês de janeiro, algo que não ocorreu em 2015.
COADJUVANTE – Se faltou soja, o milho surgiu para tentar compensar parte das perdas. O cereal liderou a pauta estadual nesse primeiro bimestre, respondendo por quase 40% das exportações, mesmo apontando queda de 9% no volume negociado. Conforme o Mdic, os embarques geraram US$ 505,42 milhões ante US$ 555,52 milhões.
Na terceira posição, está a carne bovina desossada congelada. O produto apresenta retração de 36,51% já que a receita bimestral passou de US$ 180,38 milhões para US$ 114,43 milhões. Além da soja, o milho e a carne, tiveram a logística de transporte até os portos afetada pela paralisação dos caminhoneiros e a queda, nesse momento, é considerada pontual.
A mudança na pauta mexeu também com o ranking dos parceiros comerciais de Mato Grosso. Sem soja, commodity mais importada pela China, o país despencou para o quinto lugar, com receita de US$ 80 milhões, -83% menor na comparação anual.
A Indonésia lidera as importações e isso justifica o incremento de 78% nos embarques de algodão, que passaram a US$ 93,93 milhões ante US$ 52,74 milhões. O país totalizou, com o comércio de outros itens, US$ 147,78 milhões, incremento anual de 98,29%. Em seguida estão Irã, Vietnã, Países Baixos (Holanda) e a China.