Rússia: Rico em proteína, trigo de inverno promete alternativa a OGMs
Publicado em 24/03/2015 11h20

Rússia: Rico em proteína, trigo de inverno promete alternativa a OGMs

Especialistas em melhoramento genético selecionaram variedades únicas de trigo adaptadas a climas frios. Expectativa é que esses novos tipos de trigo contenham a queda da qualidade dos grãos observada ao redor do mundo e ganhem terreno dos organismos geneticamente modificados (OGMs).
Por: Dária Kézina / Gazeta Rússia

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Científica Agrária “Nemtchinovka”, em Moscou, selecionaram variedades especiais de trigo de inverno têm duas vezes mais proteína do que a maioria dos demais disponíveis no mercado mundial. Esses tipos de trigo podem crescer em áreas com clima frio e solo pouco fértil.

Bagrat Sandukhadze, especialista em melhoramento genético do “Nemtchiovka” e membro da Academia Russa de Ciências, criou com sua equipe 15 variedades de trigo de inverno apropriadas para o plantio em áreas que ficam fora da faixa do tchernozion (solo fértil de coloração negra) e ocupam um território enorme na porção europeia da Rússia, estendendo-se da costa do Oceano Ártico à zona de floresta do Mar Báltico e Sibéria Ocidental.

Quatorze das 15 novas variedades de trigo já foram patenteadas pelos especialistas do “Nemtchiovka”. Eles acreditam que graças a esses novos tipos de trigo será possível conter a queda da qualidade dos grãos observada ao redor do mundo.

“Hoje, a colheita média de trigo de inverno nos países desenvolvidos é de 9 a 10 toneladas por hectare. O teor de proteínas nesse trigo é de apenas 8 a 9%, o que não permite assar um pão de qualidade”, disse Sandukhadze à Gazeta Russa, referindo-se às novas variedades como “uma resposta digna aos organismos geneticamente modificados”.

Ouro vivo

A Rússia está entre os seis maiores produtores mundiais de trigo. Mas o mercado de grãos está muda constantemente, exigindo novas variedades dominantes.

“A seleção de boas variedades de grãos alimentícios com genes dominantes permitem preservar o ambiente, e isso é dez vezes mais vantajoso do que investir em estimulantes químicos ou engenharia genética”, disse Sandukhadze.

“O melhoramento genético profissional tem custo máximo calculado em milhões, enquanto os fatores tecnogênicos levam a gastos biliardários e causam danos ao ambiente. Na Rússia, existem 40 milhões de hectares ociosos, onde é possível cultivar grãos orgânicos de boa qualidade e garantir a saúde da nação.”