O álcool derivado de resíduos da cana-de-açúcar é chamado de etanol segunda geração (etanol 2G ou E2G). Enquanto o original é derivado do caldo, esta nova versão é retirada do bagaço e da palha desse vegetal. Como uma das especialidades do LTBA é diversificar os produtos derivados de alimentos – como vinhos de cajá, maracujá, acerola e até mel –, eles não se contentaram em fazer etanol somente de cana – muito menos só de caldo. “Estudamos a fabricação de etanol a partir do sabugo e da palha de milho e de cascas de coco, arroz e soja”, explicou a professora Renata Rosas, coordenadora do projeto.
Essas matérias-primas são compostas por três tipos de moléculas complexas que os químicos conseguiram quebrar para produzir o combustível: a lignina, a hemicelulose e a celulose – por isso, ele também pode ser chamado etanol celulósico. O avanço foi uma grande oportunidade para o reaproveitamento dos recursos naturais. "Quando não utilizado como ração de animais ou para produção de adubo, a agroindústria buscava se livrar desse material. O bagaço então torna a usina autossustentável em termos de energia: ela consome a energia que produz e ainda pode vendê-la", explicou a professora.
A equipe é formada por cerca de dez pessoas, entre professores e estudantes de graduação e pós-graduação, do curso de Engenharia Química da Ufal e trabalha em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da professora Renata Rosas, colaboram com o projeto de pesquisa os professores Fred Carvalho e Wagner Pimentel, na parte computacional.
Movimentando a economia
Para Renata, no entanto, diante das demandas comerciais, o E2G deve ser compreendido apenas como um complemento. "Eu não considero que ele vá substituir o etanol original, o Brasil não está suprindo nem o mercado interno. Mas é um complemento importante, sim, visto as crises de energia que a gente vive", opinou.
O novo método de produção permite que se poupe a produção direcionada para a indústria alimentícia. "Não podemos acabar com todas as plantações de alimentos para produzir etanol. Usar o que resta delas, porém, é uma opção excelente", destacou a professora, acrescentado que o etanol de segunda geração é também uma alternativa à escassez de recursos naturais.
"A gente descobre o pré-sal e temos petróleo a vontade; depois, o preço do petróleo sobe e voltamos para o álcool. Vivemos um ciclo, mas sempre pensando que as reservas de petróleo não vão durar para sempre; enquanto isso, a cana pode ser plantada e replantada indefinidamente", enfatizou.
Profissionais especializados
Conforme a pesquisadora, os profissionais do etanol 2G podem atuar basicamente em duas áreas. “Pode ser na área do campo, da agricultura – há muitos engenheiros agrícolas pesquisando tipagem genética, melhoramento genético da cana-de-açúcar etc.; ou pode ser na parte da engenharia, mexer com os processos dentro da indústria”, explicou. Segundo ela, o curso de Engenharia Química da Ufal dedica-se bastante à indústria canavieira, tanto com disciplinas obrigatórias quanto eletivas. “O curso leva em consideração a vocação histórica do Estado de Alagoas para essa indústria”, explicou.