
A comitiva do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) cumpriu, nesta terça-feira (24), agenda oficial em Gimcheon, na Coreia do Sul. O encontro com o comissário Choi Jung-Rok, da Agência de Quarentena Animal e Vegetal (APQA), colocou na mesa cinco produtos estratégicos do agronegócio brasileiro: carne bovina, carne suína, carne de aves, ovos e uvas.
A reunião deu sequência a compromissos firmados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung, e entre os ministros da Agricultura dos dois países, Carlos Fávaro e Song Mi-ryung. O foco foi o avanço da agenda sanitária e fitossanitária, que pavimenta o caminho para a entrada efetiva dos produtos brasileiros no mercado asiático.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, liderou a delegação brasileira. Além de destacar a assinatura de dois Memorandos de Entendimento (MoUs) na área agrícola, Rua deixou clara a disposição do Brasil em receber missões técnicas sul-coreanas para auditorias em território nacional — etapa necessária para a habilitação de estabelecimentos brasileiros.
O produto mais próximo de chegar às prateleiras sul-coreanas é a uva brasileira. A Coreia do Sul confirmou a realização de missão técnica para setembro deste ano, com inspeção in loco destinada a habilitar empresas nacionais para o comércio com o país asiático. A visita de campo é o último passo antes da liberação formal.
Na área de proteína animal, as 15 plantas brasileiras de carne de aves já aprovadas pelo órgão sul-coreano de segurança alimentar aguardam o aval final da APQA. A expectativa, segundo o Mapa, é que a resposta chegue até meados de março de 2026.
Quanto aos ovos e ovoprodutos, o Brasil apresentou uma proposta de Certificado Sanitário Internacional (CSI) que está em análise pelas autoridades coreanas. Sem a aprovação do certificado, não há abertura formal do mercado. As autoridades da Coreia informaram que devem se pronunciar em breve.
A carne suína ocupa posição relevante nas negociações. Atualmente, apenas estabelecimentos de Santa Catarina têm autorização para exportar ao mercado coreano. O Brasil pediu a ampliação do escopo para todo o território nacional, e o Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais da Coreia (MAFRA) deve anunciar sua decisão em breve — possivelmente seguida de inspeção in loco.
Além disso, a Coreia do Sul manifestou intenção de realizar, no segundo semestre de 2026, uma missão para habilitar seis estabelecimentos brasileiros: três de carne suína e três de farinhas de origem animal.
A carne bovina foi tratada como prioridade pela delegação brasileira, mas é também o dossier mais distante de uma resolução imediata. O mercado sul-coreano permanece fechado para o produto brasileiro, e nenhuma data foi definida para o envio da comitiva coreana ao Brasil.
A delegação brasileira reiterou o pedido de realização de auditoria técnica e a disponibilidade do país em receber os sul-coreanos o quanto antes. O governo coreano não sinalizou prazo.
O comércio bilateral entre Brasil e Coreia do Sul movimentou volumes expressivos em 2025. Na categoria "carne bovina fresca, refrigerada ou congelada", o total exportado pelo Brasil ao país asiático chegou a 1,65 milhão de toneladas no mesmo período, segundo dados apurados pelo Jornal do Comércio, o que evidencia o potencial ainda represado pela ausência de habilitação formal.