
O mercado da soja viveu um dia de "braço de ferro" entre a tentativa de recuperação técnica e o peso da realidade produtiva e geopolítica. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos encerraram a sessão com leves recuos, refletindo um ambiente de extrema cautela. A análise da TF Agroeconômica aponta que, embora os preços tenham ensaiado uma subida durante o pregão, a pressão vendedora — alimentada pela chegada da safra brasileira ao mercado global — predominou até o toque do sino.
O contrato com vencimento em março fechou cotado a 1154,50 cents/bushel (queda de 0,11%), enquanto o de maio recuou para 1169,50 cents/bushel. Esse movimento de estabilidade com viés de baixa é típico de períodos onde a oferta do Hemisfério Sul começa a inundar os portos, oferecendo aos compradores globais, especialmente a China, uma alternativa mais barata e volumosa em relação ao grão norte-americano.
Um ponto de destaque na sessão foi o comportamento divergente entre os subprodutos da oleaginosa. O farelo de soja registrou uma queda acentuada de 1,42%, encerrando a US$ 306,1 por tonelada curta. Em contrapartida, o óleo de soja seguiu o caminho oposto, valorizando-se 1,32% e alcançando 63,09 cents por libra-peso.
Essa valorização do óleo está diretamente ligada às tensões no Oriente Médio. O conflito na região pressiona o preço do petróleo e, por tabela, aumenta a demanda e o valor dos óleos vegetais utilizados na produção de biocombustíveis. Quando a energia fóssil encarece ou corre riscos logísticos, o mercado busca refúgio e alternativas nas commodities ligadas à energia verde.
O avanço da colheita brasileira continua sendo o principal "teto" para qualquer tentativa de alta consistente em Chicago. Com as máquinas em ritmo acelerado no Mato Grosso e em Goiás, a disponibilidade física do grão no Brasil amplia a percepção de uma oferta global confortável. Analistas reforçam que a soja e o trigo gozam de uma abundância mundial que limita movimentos especulativos de alta no curto prazo.
"A pressão vendedora predominou, com o mercado reagindo à possibilidade de novas tarifas comerciais e às tensões no Oriente Médio."
Além do fator oferta, dois elementos externos travam o mercado:
Tarifas Comerciais: Rumores e discussões sobre novas barreiras alfandegárias entre grandes potências geram medo de interrupção nos fluxos de exportação.
Geopolítica: A instabilidade no Oriente Médio aumenta a aversão ao risco, fazendo com que investidores prefiram posições mais conservadoras em vez de apostar em altas agressivas nas commodities agrícolas.
| Contrato | Vencimento | Fechamento (Cents/Bushel) | Variação |
| Soja Grão | Março/26 | 1154,50 | - 0,11% |
| Soja Grão | Maio/26 | 1169,50 | - 0,09% |
| Farelo | Março/26 | 306,10 (US$/t) | - 1,42% |
| Óleo | Março/26 | 63,09 (cents/lb) | + 1,32% |
O cenário atual desenha um mercado de "oportunidades pontuais". Para o produtor brasileiro, a valorização do óleo pode ser um fator positivo para as indústrias esmagadoras internas, melhorando a margem de processamento e, consequentemente, o preço pago pelo grão nas fábricas de biodiesel. No entanto, na exportação, a competição com os estoques globais exige uma gestão comercial atenta.
A China, principal destino da soja brasileira, monitora de perto as janelas de frete e os custos logísticos impactados pelo petróleo. A tendência para o restante da semana é de manutenção dessa cautela, aguardando novos relatórios de oferta e demanda que possam dar uma direção mais clara para as cotações em março.
A colheita de soja no Brasil já ultrapassa a marca de 45% em algumas regiões, consolidando a pressão de oferta.