O Brasil encerrou fevereiro de 2026 com o melhor desempenho já registrado para o mês nas exportações de carne de frango. Foram 493,2 mil toneladas embarcadas — entre produtos in natura e processados —, volume 5,3% superior ao de fevereiro de 2025, quando o país exportou 468,4 mil toneladas. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), divulgados nesta sexta-feira (6).
A receita acompanhou o crescimento em volume. O faturamento de US$ 945,4 milhões também é o maior já registrado para o mês, com alta de 8,6% sobre os US$ 870,4 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior. O desempenho consolida o frango como um dos principais vetores das exportações do agronegócio brasileiro.
No acumulado do primeiro bimestre, o setor registrou 952,3 mil toneladas exportadas — alta de 4,5% sobre as 911,4 mil toneladas embarcadas nos dois primeiros meses de 2025. Em receita, o crescimento comparativo chega a 7,2%: US$ 1,819 bilhão em 2026, contra US$ 1,696 bilhão no mesmo intervalo do ano passado. É o melhor bimestre da história, tanto em volume quanto em faturamento.
A China reassumiu o posto de maior compradora do frango brasileiro em fevereiro, com 49,4 mil toneladas importadas — volume apenas 0,4% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. O retorno do país asiático ao topo do ranking mensal é interpretado pelo setor como sinal de normalização das relações comerciais após os efeitos do foco de influenza aviária registrado no Brasil em maio do ano passado.
Na sequência dos maiores compradores aparecem os Emirados Árabes Unidos, com 44 mil toneladas (+13,4%), e o Japão, com 38,2 mil toneladas — alta expressiva de 38% em relação a fevereiro de 2025. A Arábia Saudita importou 33,8 mil toneladas (+7,3%) e a África do Sul, 31,3 mil toneladas (+27,6%).
A União Europeia registrou o maior crescimento percentual entre os principais destinos: 30,1 mil toneladas, avanço de 46,3% sobre fevereiro do ano anterior. As Filipinas também se destacaram, com 30 mil toneladas (+29,2%). Completam a lista dos dez maiores compradores Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+2,4%); México, com 15,8 mil toneladas (-24,3%); e Singapura, com 15,4 mil toneladas (+20,1%).
"Vimos em fevereiro a consolidação da retomada dos embarques para a China, nos mesmos patamares anteriormente praticados para este destino, comportamento também observado nas exportações para a União Europeia. Os efeitos comerciais do foco de Influenza Aviária registrado — e já superado — na produção comercial do Brasil, em maio do ano passado, foram superados e devem influenciar positivamente o desempenho das exportações nos próximos meses." — Ricardo Santin, presidente da ABPA
No levantamento por estado, o Paraná manteve a liderança com 211 mil toneladas exportadas em fevereiro, alta de 13,3% sobre o mesmo período de 2025. Santa Catarina ficou em segundo lugar, com 104,6 mil toneladas (-1,9%), seguida pelo Rio Grande do Sul, com 61,1 mil toneladas (-12,47%).
São Paulo exportou 28,8 mil toneladas (+6,4%) e Goiás registrou crescimento de 19,36%, com 24,5 mil toneladas — o maior avanço percentual entre os cinco principais estados exportadores no período. A queda gaúcha, ainda que expressiva, reflete ajustes pontuais no calendário de embarques e não sinaliza perda estrutural de posição do estado no setor.
Santin destacou ainda o desafio logístico gerado pelo conflito no Golfo do Oriente Médio. "São grandes os esforços para a construção de alternativas logísticas que mantenham o fluxo para destinos afetados pelo conflito", afirmou o presidente da entidade.
O setor comemorou o anúncio do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre a abertura do mercado das Ilhas Salomão para exportações brasileiras de carne de frango. O arquipélago do Pacífico, com cerca de 830 mil habitantes, apresenta produção doméstica limitada e forte dependência de importações para atender à demanda interna por proteína animal.
Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a oferta interna de frango nas Ilhas Salomão dobrou na última década, saindo de aproximadamente 2 mil toneladas em 2010 para 4 mil toneladas, mas ainda insuficiente para suprir o consumo local. Em 2024, o país importou cerca de US$ 10,8 milhões em carne de frango, com fornecimento concentrado principalmente na Austrália e nos Estados Unidos.
"A abertura deste mercado coloca o Brasil como alternativa sólida na parceria estratégica para o apoio à segurança alimentar deste país, oferecendo proteína de qualidade produzida com elevados padrões sanitários e grande capacidade de abastecimento", avaliou Santin.
A conquista se soma a um momento favorável para o setor, que segue ampliando mercados em regiões diversas do globo e mira destinos com demanda crescente por proteína animal a preços competitivos.