A Direção-Geral de Pecuária e Saúde Animal do Ministério da Agricultura da Indonésia concluiu a análise técnica das plantas brasileiras e autorizou mais 21 estabelecimentos a enviarem carne bovina ao seu território. O anúncio, recebido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelas empresas do setor, consolida o movimento da indústria nacional em diversificar os destinos da proteína animal em um momento de ajustes na demanda de compradores tradicionais.
A decisão amplia o alcance da pecuária brasileira no quarto país mais populoso do mundo, habitado por 283 milhões de pessoas. Com o novo lote de autorizações, o Brasil contabiliza 73 unidades frigoríficas habilitadas, pertencentes a 26 empresas distribuídas por 13 estados.
A inspeção presencial que fundamentou os avaliações ocorreu entre os dias 27 de junho e 5 de julho. A comissão técnica auditou os processos sanitários e a estrutura operacional de empresas de médio e grande porte espalhadas pelo Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sul.
Entre as companhias contempladas, a JBS obteve permissão para sete novas plantas, localizadas no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Goiás. A Masterboi recebeu aval para três unidades, situadas em Pernambuco, Tocantins e Pará, enquanto a Frigomarca habilitou três instalações, no Mato Grosso, Goiás e Acre. A lista inclui ainda unidades da Naturafrig (São Paulo e Mato Grosso do Sul), Plena (Tocantins e Goiás), Frigosul (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Golden Imex (Mato Grosso do Sul) e Frigorífico Silva (Rio Grande do Sul).
Destaque: As novas autorizações elevam para 73 o número de instalações brasileiras aptas a atender o consumo indonésio em 13 estados.
A liberação de plantas produtoras reflete o avanço constante nas trocas comerciais entre as duas nações. Em 2019, ano da abertura desse mercado, apenas dez frigoríficos possuíam autorização. O ritmo de liberações acelerou ao longo dos anos, somando 11 plantas em 2023, 17 em 2025 e alcançando 35 novas habilitações no decorrer de 2026.
Esse incremento operacional traduziu-se em números expressivos nas planilhas de comércio exterior. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicam que, em 2025, o Brasil enviou 43,2 mil toneladas de carne bovina para a Indonésia, gerando uma receita de US$ 154,1 milhões.
A marca do ano anterior acabou superada em apenas sete meses. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para o país asiático atingiram 43,7 mil toneladas. O resultado posicionou a Indonésia no oitavo lugar entre os principais destinos da carne bovina do Brasil.
O potencial de crescimento permanece elevado devido ao perfil de consumo local. O consumo per capita de carne bovina na Indonésia situa-se em 3,3 quilos por habitante ao ano, patamar distante da média global de 9,5 quilos. Como a produção doméstica não supre a demanda, o país dependeu da importação de 387,4 mil toneladas de proteína animal no último ano.
Destaque: Nos primeiros sete meses de 2026, os embarques para a Indonésia somaram 43,7 mil toneladas, superando todo o volume registrado em 2025.
Atualmente, o Brasil ocupa o posto de terceiro maior fornecedor de carne bovina para o mercado indonésio, posicionado atrás da Índia e da Austrália, conforme relatórios da Embaixada do Brasil em Jacarta. Contudo, o ambiente de negócios exige o cumprimento de regras específicas de acesso.
O governo indonésio estabelece uma cota global anual de 297 mil toneladas para compras de carne bovina e bubalina. No início deste ano, a administração local concentrou 84% dessa cota em duas empresas estatais: a PT Berdikari e a PT Perusahaan Perdagangan Indonesia (PPI). O volume restante, de 30 mil toneladas, acabou distribuído entre 108 empresas privadas.
Essa distribuição de cotas não reduziu o ritmo das vendas brasileiras. A legislação sanitária da Indonésia restringe a compra direta do produto brasileiro às estatais, em razão de prazos de transição na homologação do status do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.
As estatais indonésias utilizam suas cotas de importação para adquirir a proteína brasileira, garantindo o abastecimento interno e mantendo o fluxo financeiro para as indústrias nacionais. A habilitação das 21 plantas adicionais permite que as tradings estatais diversifiquem seus fornecedores dentro do território brasileiro, otimizando custos de frete e logística de embarque.
Apesar da expansão contínua no Sudeste Asiático, os volumes direcionados à Indonésia representam uma fatia complementar dentro da pauta exportadora nacional, servindo como canal alternativo para o escoamento da produção dos frigoríficos brasileiros.