Juros altos e crédito restrito derrubam produção da agroindústria
Publicado em 21/09/2026 09h49

Juros altos e crédito restrito derrubam produção da agroindústria

A produção da agroindústria caiu 2,9% em julho de 2026 frente ao mesmo mês de 2025, impactada por juros altos e crédito restrito, segundo a FGV.
Por: Redação

A atividade da agroindústria brasileira registrou retração de 2,9% no mês de julho de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado, mensurado pelo Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro) da FGV Agro, reflete o cenário de taxa de juros elevada no país e a perda de ritmo no consumo das famílias.

O movimento de queda atingiu a maioria dos segmentos mapeados pela instituição. A combinação de custos financeiros elevados com a restrição na oferta de financiamentos ao produtor rural limitou a capacidade de investimento e compra ao longo da cadeia produtiva do agronegócio nacional.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a agroindústria brasileira apresenta um recuo de 0,8%. Apenas na análise com ajuste sazonal frente a junho houve uma ligeira reação, com variação positiva de 0,4%, o que não impediu o saldo negativo no balanço anual.

Destaque: O ritmo produtivo do setor agroindustrial acumulou queda de 0,8% entre janeiro e julho de 2026, pressionado pelas taxas de juros.

Queda expressiva no setor de insumos e têxteis

O ramo de produtos não alimentícios apresentou o desempenho mais fraco do levantamento, contabilizando uma retração conjunta de 4,5%. A divisão de insumos agropecuários liderou as perdas com uma queda de 20,8% na comparação interanual.

O tombo nas indústrias de insumos decorre da menor liquidez no campo. As distribuidoras registraram redução nas encomendas de fertilizantes, adubos, defensivos agrícolas, tratores e máquinas, uma vez que o produtor optou por adiar a renovação de frota e enxugar o uso de tecnologias para a safra.

Destaque: A fabricação de insumos agropecuários caiu 20,8% em julho por conta do aperto de liquidez e da restrição de crédito no campo.

O segmento têxtil também anotou retração expressiva, fechando julho com queda de 6,7%. Houve redução na atividade de processamento de fibras, tecelagem, confecção de vestuário, curtimento de couros e fabricação de calçados. As indústrias de produtos florestais caíram 0,1%, amortecidas pelo desempenho da celulose.

Biocombustíveis reagem, mas alimentos recuam

A retração no segmento não alimentício só não alcançou patamares mais severos devido ao avanço da indústria de biocombustíveis, que expandiu 6,1% no mês, impulsionada pelo processamento da safra de cana-de-açúcar e pelo aumento na capacidade instalada das usinas de etanol de milho. O setor de fumo cresceu 23,6%.

Já o ramo de alimentos e bebidas registrou uma queda agregada de 1,6%. A produção de alimentos caiu 2,6%, com destaque negativo para os produtos de origem vegetal, que encolheram 3,8% devido à menor moagem de trigo e ao direcionamento da cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.

A indústria de alimentos de origem animal recuou 1,7%, puxada pelo setor de carne bovina. O desempenho dos frigoríficos reflete o preenchimento antecipado da cota chinesa de importação de 1,106 milhão de toneladas, que ingressou no país parceiro com isenção da tarifa de 55%.

No setor de bebidas, o balanço permaneceu positivo, com crescimento geral de 5%. A fabricação de bebidas alcoólicas avançou 6,8%, enquanto o segmento não alcoólico registrou alta de 3,3%.

As indústrias de conservas, sucos, óleos vegetais, arroz e café mantiveram expansão no período, atenuando as perdas do setor de alimentos processados no país.