O mercado futuro de trigo registrou depreciação nas bolsas norte-americanas durante as primeiras horas de negócios desta terça-feira. A retração nos valores praticados reflete a reação dos investidores aos anúncios do governo russo sobre contatos diplomáticos mediados pela Turquia. As conversas buscam reestabelecer corredores marítimos de navegação segura para o escoamento de safras de grãos pelo Mar Negro, reduzindo o risco de desabastecimento internacional.
Paralelamente às negociações de trânsito hídrico, o Ministério da Agricultura da Rússia informou a intenção de adquirir 3 milhões de toneladas de grãos para a composição de reservas estratégicas estatais. O movimento busca enxugar a oferta interna do país e sustentar as cotações aos produtores locais, enquanto o conflito armado com a Ucrânia segue no radar dos analistas de mercado.
No acompanhamento dos trabalhos de campo nas áreas produtoras dos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera atingiu 96% da área semeada. A implantação da safra 2027/28 de trigo de inverno avançou para 17% das áreas previstas. No cenário doméstico, os levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a colheita do cereal alcançou 21,6% da área cultivada no Brasil.
Destaque: O avanço das tratativas para navegação segura no Mar Negro e a colheita americana em 96% puxaram as cotações do trigo para baixo nas bolsas internacionais.
A soja abriu os negócios em patamares elevados, operando próxima das máximas recentes na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O suporte fundamentalista decorre do ritmo aquecido de aquisições promovido por tradings da China, que buscam garantir o abastecimento industrial do país asiático frente às incertezas na logística global de transportes.
Os compromissos de exportação dos Estados Unidos para a temporada 2026/27 somam 20,6 milhões de toneladas comercializadas. A marca representa o dobro do volume registrado em período equivalente do ano anterior, evidenciando a concentração das compras internacionais nas tradings norte-americanas.
Os agentes financeiros monitoram os desdobramentos das tratativas comerciais entre as administrações de Washington e Pequim, além de acompanharem as previsões meteorológicas para o cinturão agrícola produtor dos EUA. A chegada de frentes frias acompanhadas de chuvas volumosas em trechos do meio-oeste norte-americano pode paralisar as colheitadeiras e adiar a entrada dos grãos nos armazéns.
Destaque: Os compromissos de exportação da soja norte-americana atingiram 20,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume duas vezes maior que o ciclo anterior.
As cotações do milho iniciaram o dia em terreno negativo, passando por correções técnicas e realização de lucros por parte dos fundos de investimento após os ganhos acumulados em sessões anteriores. A aceleração dos trabalhos de campo nos Estados Unidos também adiciona pressão vendedora às tabelas de preços negociadas na bolsa.
A colheita do milho norte-americano cobriu 13% da área total destinada ao cultivo, com 57% das lavouras classificadas em condições boas ou excelentes pelos inspetores de campo. No Brasil, o recolhimento da segunda safra de milho (safrinha) entrou na reta final, alcançando 98,7% da área total mapeada pela Conab.
O ambiente financeiro externo conta ainda com a influência do mercado de moedas e do setor energético. O contrato futuro do dólar registrou queda de 0,80%, cotado a R$ 5,1180, enquanto o petróleo tipo Brent operou em baixa de 1,80%, negociado a US$ 98,18 o barril na Bolsa de Londres.