Super El Niño pode atingir 3,5°C e ameaça safra agrícola no Brasil
Publicado em 23/09/2026 07h45

Super El Niño pode atingir 3,5°C e ameaça safra agrícola no Brasil

Previsão de setembro do IRI aponta pico de 3,5°C no El Niño 2026/2027, ameaçando o agro brasileiro com seca no Norte e chuvas no Sul.
Por: Redação

A atualização de setembro da pluma de modelos do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), pertencente à Universidade de Columbia, aumentou a convergência sobre a ocorrência de um El Niño de proporções históricas entre o final de 2026 e meados de 2027. Os dados técnicos, divulgados em parceria com o portal Meteored, mostram que tanto os sistemas dinâmicos quanto os estatísticos agora apontam anomalias térmicas superiores a 3°C na região do Pacífico Equatorial.

A projeção unificada eleva o pico do fenômeno para até 3,5°C no trimestre compreendido entre outubro de 2026 e janeiro de 2027. O avanço na concordância dos modelos estatísticos, que no mês anterior projetavam o aquecimento abaixo de 3°C, fortaleceu a probabilidade de um evento classificado como "Super El Niño" no meio científico.

A média geral das dezenas de simulações computadorizadas acompanhadas pelo IRI saltou de +3,1°C em agosto para +3,4°C na aferição de setembro. Os modelos estatísticos isolados sustentam um aquecimento entre +3,2°C e +3,3°C, alinhando-se aos modelos dinâmicos que já mantinham projeções próximas do teto de +3,5°C.

Destaque: A média de todos os modelos climáticos do IRI subiu para +3,4°C em setembro, confirmando a alta probabilidade de um Super El Niño durante a safra 2026/2027.

Com a sincronização das ferramentas de monitoramento do El Niño-Oscilação Sul (ENOS), os meteorologistas preveem que o fenômeno se manterá ativo de forma contínua no Pacífico pelo menos até o trimestre encerrado em junho de 2027.

NOAA eleva probabilidade de marca histórica desde 1950

As leituras do IRI encontram respaldo no último boletim emitido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). De acordo com a agência norte-americana, a probabilidade de a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassar a barreira de 2,5°C subiu para 75%.

Caso esses números se confirmem nos registros de campo durante os próximos meses, o ciclo 2026/2027 do El Niño se consolidará como o evento de maior magnitude térmica registrado no planeta desde que as medições globais padronizadas foram iniciadas, em 1950.

Destaque: Segundo a NOAA, há 75% de probabilidade de o fenômeno superar 2,5°C de anomalia, superando os recordes históricos já computados pela meteorologia.

A persistência do aquecimento no oceano por múltiplos trimestres consecutivos altera os padrões de circulação atmosférica global, gerando oscilações severas no regime de precipitação sobre o continente sul-americano.

Reflexos diretos nas regiões produtoras do Brasil

As projeções detalhadas para o território brasileiro desenham um quadro de forte contraste regional para o planejamento agrícola. Nas regiões Norte e no semiárido do Nordeste, a presença do Super El Niño eleva o risco de estiagens severas e prolongadas, afetando o nível dos reservatórios e a umidade do solo para as culturas locais.

No Centro-Sul do país, o modelo prevê temperaturas significativamente acima da média climatológica para a primavera e o verão. A combinação de calor intenso com maior taxa de evapotranspiração exigirá atenção dos produtores de grãos e cana-de-açúcar quanto ao manejo hídrico das lavouras.

Já no Sul do Brasil, a tendência aponta para a concentração de volumes pluviométricos acima da média histórica, acompanhados pelo aumento na frequência de eventos meteorológicos extremos, como tempestades e vendavais.

O relatório do IRI indica que a permanência do fenômeno até o primeiro semestre de 2027 manterá o padrão de chuvas intensas no Sul e bloqueios atmosféricos nas áreas mais ao norte do país ao longo de toda a safra de verão.