O mercado global de oleaginosas abriu o período recente negociando em patamares elevados. A valorização das commodities agrícolas nas principais bolsas internacionais recebeu o suporte do encarecimento dos preços da energia no exterior. As oscilações no mercado de petróleo, associadas às incertezas geopolíticas no Oriente Médio, encareceram os custos dos combustíveis fáceis e geraram reflexos diretos no setor de biocombustíveis.
O relatório do Conselho Internacional de Grãos (IGC) apontou que as cotações médias da soja registraram ganho de 7% na comparação mensal. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), o movimento comprador ganhou força e os contratos de vencimento mais próximo acumularam avanço de 8%. O reajuste nos preços futuros refletiu a necessidade de ajustar as planilhas aos novos custos logísticos globais.
Destaque: O IGC aponta valorização de 7% no preço médio global da soja, impulsionado pelo encarecimento do barril de petróleo e pela demanda aquecida.
A reação do complexo de óleos vegetais acelerou a busca por posições compradoras nas tradings. O movimento ocorreu em meio às preocupações da indústria com o impacto do fenômeno El Niño sobre o potencial produtivo das lavouras em importantes polos produtores do Hemisfério Sul.
O apetite das indústrias processadoras da China manteve a sustentação das tabelas de preços nos portos de embarque. As empresas chinesas intensificaram a contratação de lotes para entregas ao longo do ano comercial 2026/27. Esse ritmo acelerado colocou os compromissos de exportação dos Estados Unidos, no início de setembro, 102% acima do patamar consolidado em período equivalente da safra anterior.
Nas posições do Golfo dos Estados Unidos, a tonelada de soja foi cotada a US$ 540 no valor FOB (Free on Board). No mercado brasileiro, os prêmios de exportação apresentaram ajuste negativo moderado a partir de meados de agosto, como resposta à subida dos contratos em Chicago e ao fluxo sazonal que direciona compradores para a safra recém-colhida na América do Norte.
Destaque: As exportações acumuladas dos Estados Unidos iniciaram setembro com volume 102% maior em relação ao ano passado, cotadas a US$ 530 no Golfo.
Apesar dessa oscilação pontual nos prêmios, a menor oferta de grão disponível para pronta entrega nas praças do interior do Brasil manteve o valor das exportações aquecido. No Porto de Paranaguá (PR), a soja registrou alta de US$ 32 no período, atingindo a marca de US$ 540 por tonelada FOB.
O ambiente altista atingiu também as cotações de outras culturas oleaginosas no comércio internacional. No Canadá, os preços da canola registraram avanço de 1% no mês, com as ofertas de exportação alcançando US$ 630 por tonelada no Porto de Vancouver. Na Austrália, as cotações do grão no mercado de exportação chegaram a US$ 573 por tonelada.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) confirmou que o índice de preços dos óleos vegetais subiu 0,6% em agosto. O resultado coloca o indicador global no patamar mais elevado desde junho de 2022, puxado pelas cotações dos óleos de palma, soja, girassol e colza.
Paralelamente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou suas estimativas para a oferta mundial. O órgão governamental elevou a projeção da safra global de canola em 2026/27 para perto de 100 milhões de toneladas, alavancada por revisões positivas nas colheitas da Austrália, Rússia, Uruguai e Cazaquistão.
O comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá do ritmo do escoamento da safra nos portos norte-americanos e das condições de umidade do solo no Brasil durante o plantio da safra.