Super El Niño de 2026/27 ameaça crédito e seguro no agronegócio
Publicado em 30/09/2026 16h38

Super El Niño de 2026/27 ameaça crédito e seguro no agronegócio

O pico do Super El Niño em 2026/2027 deve impactar o agronegócio brasileiro, afetando crédito rural, seguros e custos operacionais.
Por: Redação

O avanço do fenômeno Super El Niño projetado para o ciclo 2026/2027 acende o sinal de alerta para o agronegócio e para diversos setores produtivos no Brasil. Com previsões que apontam para um dos eventos climáticos mais intensos das últimas décadas, os desdobramentos operacionais e financeiros prometem atingir desde o rendimento das lavouras até a gestão de caixa, contratação de crédito e planejamento tributário das empresas do setor.

Conforme dados do Climate Prediction Center (CPC), dos Estados Unidos, o fenômeno climático deve atingir sua intensidade máxima no Hemisfério Sul entre o final de 2026 e o início de 2027. O período coincide com a janela em que produtores rurais e agroindústrias fecham orçamentos, renegociam financiamentos e renovam as apólices de seguro para a safra seguinte.

Na avaliação de Junior Rozante, CEO do Grupo RZ3, o estresse climático ultrapassa os limites técnicos do campo e se consolida como um risco estrutural de gestão. Experiências acumuladas em diferentes segmentos mostram que intempéries climáticas geram transformações transversais, exigindo respostas coordenadas entre as áreas financeira, jurídica e operacional.

Risco de gestão: O pico do El Niño em 2026/2027 exige planejamento integrado entre as áreas financeira, tributária e operacional para mitigar perdas na safra.

Desafios operacionais e riscos por região

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram reação acentuada do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário durante ciclos de El Niño forte. O impacto distribui-se de forma heterogênea pelo território nacional, impondo riscos específicos conforme a cultura e a localização geográfica.

Nas regiões Centro-Sul e Centro-Oeste, o estresse hídrico eleva a vulnerabilidade das lavouras de café, cana-de-açúcar e milho segunda safra. Por outro lado, a Região Sul enfrenta o risco oposto, caracterizado pelo excesso de chuvas, encharcamento do solo e enchentes, fatores que prejudicam o desenvolvimento das plantas e atrasam a colheita.

No âmbito contábil, a frustração de safra exige a revisão de valor de estoques e de ativos biológicos, conforme prevê a norma CPC 29. As empresas do setor necessitam também ampliar provisões para perdas em operações que não contam com cobertura de seguro rural.

Crédito rural, seguros e gestão trabalhista

A instabilidade climática reflete na contratação e no cumprimento dos contratos de financiamento. O Banco Central acompanha o potencial aumento na inadimplência e nos pedidos de renegociação no âmbito do Plano Safra e de linhas mantidas pelo Banco do Brasil, BNDES e cooperativas de crédito. A ampliação do passivo tende a impulsionar a busca por programas estaduais de moratória de ICMS e repactuações junto ao Conselho Monetário Nacional (CMN).

No mercado de seguros, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), monitorado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), CNseg e FenSeg, desponta como termômetro financeiro do período. O aumento da sinistralidade em 2026 e 2027 deve pressionar o valor dos prêmios, ampliando a relevância do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a delimitação de janelas de plantio menos expostas.

Pressão nos prêmios: A alta sinistralidade prevista para o ciclo 2026/2027 tende a encarecer os seguros rurais e exigir uso rigoroso do Zarc.

A sazonalidade da mão de obra rural representa outro ponto de atenção. Quebras de produtividade encurtam o período de colheita e prolongam a entressafra, gerando rotatividade de trabalhadores e custos adicionais com rescisões.

Para mitigar a vulnerabilidade hídrica, estudos do Insper Agro Global, FGV Agro e Embrapa indicam aceleração nos investimentos em irrigação, sementes tolerantes à seca, biotecnologia e monitoramento por satélite. A orientação técnica sugere a criação antecipada de comitês de resposta climática pelas empresas ainda em 2026.