Polo inédito de ciência para jumentos atrai universidades na Bahia
Publicado em 30/09/2026 16h46

Polo inédito de ciência para jumentos atrai universidades na Bahia

Instalado no sertão baiano, o projeto Jegue Land reúne universidades para pesquisar genética, nutrição e derivados do jumento no Semiárido.
Por: Wisley Torales

A estruturação de novos modelos produtivos adaptados às adversidades climáticas do Semiárido brasileiro ganha um centro de pesquisas aplicadas no sertão da Bahia. Denominado Jegue Land, o empreendimento surge como o primeiro polo de ciência e tecnologia voltado exclusivamente ao estudo, conservação genética e aproveitamento econômico de asininos do ecótipo Nordestino.

A iniciativa opera no formato de laboratório a céu aberto para conectar estudos acadêmicos às demandas reais dos produtores da Caatinga. O trabalho científico é conduzido em cooperação com pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A proposta abrange desde a preservação do patrimônio genético local até o desenvolvimento de tecnologias para a extração de leite, fabricação de queijos, cosméticos, bifes e outros produtos de alto valor agregado derivados da espécie.

Polo científico no Semiárido: A fazenda baiana reúne universidades federais para padronizar o manejo, a nutrição e a reprodução de jumentos do ecótipo Nordestino.

Frentes de pesquisa e bioeconomia regional

As atividades no campo estão divididas em cinco pilares fundamentais de acompanhamento zootécnico: conservação de germoplasma; nutrição com uso de forrageiras nativas e adaptadas; manejo reprodutivo e sanitário; bem-estar animal; e viabilidade econômica dos sistemas produtivos. A equipe gera indicadores técnicos sobre taxa de fertilidade, crescimento, ganho de peso diário, conversão alimentar e custos de produção.

O administrador e zootecnista Alex Bastos pontua que o projeto busca criar rotinas de manejo alinhadas ao comportamento biológico dos asininos. O acompanhamento permitirá testar dietas baseadas em plantas do Caatinga de baixo custo, garantindo nutrição adequada aos rebanhos sem comprometer a renda das famílias sertanejas.

Inovação biotecnológica: Estudos de inseminação artificial e criopreservação de sêmen buscam multiplicar animais de alto valor zootécnico no Nordeste.

Na frente reprodutiva, pesquisadores aplicam ferramentas de inseminação artificial, fertilização in vitro, transferência e congelamento de embriões. A médica-veterinária Yamê Fabres, pesquisadora da UFV, explica que a biotecnologia atende ao avanço da demanda por derivados do jumento, prevenindo o esgotamento das populações locais.

Difusão de conhecimento e extensão rural

A inserção da cadeia produtiva dos asininos na economia regional depende da transferência de tecnologia aos pequenos criadores. O professor Gustavo Carneiro, da UFRPE, ressalta que o polo estimula pesquisas focadas no comportamento animal, na qualidade sanitária e no processamento do leite de jumenta, alterando a percepção socioeconômica sobre a espécie no meio rural.

A validação de técnicas de ordenha e formulação de rações funcionais visa transformar a propriedade em uma unidade demonstrativa para o Semiárido. O professor Jorge Lucena, da UFAPE, salienta que as instituições públicas atuarão na difusão dos resultados por meio de ações de extensão universitária.

O trabalho conjunto entre pesquisadores e produtores locais prioriza a capacitação de famílias rurais para o manejo adequado e o processamento artesanal de laticínios de jumenta nas comunidades do interior nordestino.