
A sustentabilidade na produção agrícola vai além do controle de custos e da preservação dos recursos hídricos. A composição biológica e mineral do solo onde os alimentos são cultivados afeta a qualidade nutricional daquilo que chega ao prato do consumidor final. Esse vínculo entre a saúde da terra e o bem-estar humano orienta os debates do VIII Dia Nacional da Abelha e IV Dia Nacional da Agroecologia, em Campinas (SP).
O encontro, sediado no auditório do Instituto Agronômico (IAC-APTA), reúne pesquisadores, extensionistas e produtores rurais para discutir modelos de cultivo de baixo impacto. A programação do dia 2 de outubro destaca a palestra do pesquisador Sebastião Wilson Tivelli, da APTA Regional de São Roque, sobre a influência da conservação do solo no organismo humano.
Destaque: A qualidade biológica e mineral da terra determina o valor nutricional dos alimentos que chegam às feiras e gôndolas dos supermercados.
A abordagem técnica mostra que a manutenção de solos vivos, ricos em matéria orgânica e microrganismos, previne a degradação das áreas agrícolas e melhora a absorção de micronutrientes pelas plantas. Essa dinâmica fortalece a capacidade de produção de hortaliças e grãos ao longo dos ciclos produtivos.
A valorização dos polinizadores atua em conjunto com a preservação do solo nos sistemas agroecológicos. O evento promove a integração entre a meliponicultura, que consiste na criação de abelhas nativas sem ferrão, e a implantação de sistemas agroflorestais em propriedades paulistas.
O primeiro dia de atividades prestou homenagens à engenheira agrônoma Ondalva Serrano e ao meliponicultor José Mauro Souza, referências no setor. Painéis técnicos detalharam os dez anos do Protocolo de Transição Agroecológica, conduzido por especialistas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Nazaré Paulista e Santos.
Destaque: A criação de abelhas sem ferrão aliada a sistemas agroflorestais amplia a polinização de lavouras e garante a conservação ambiental.
As apresentações abordaram o manejo sustentável na Ecovila Clareando, em Piracaia, além de estratégias de segurança rural para comunidades tradicionais na Baixada Santista. O público acompanhou amostras de produtos da colmeia na Feira Agroecológica instalada no IAC.
A programação do dia 2 de outubro contempla o impacto dos defensivos sintéticos na saúde. O professor Fúlvio Scorza, da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, apresenta estudos sobre a relação entre a exposição a agrotóxicos e o funcionamento do cérebro humano.
O impacto das queimadas sobre a apicultura e a meliponicultura entra em pauta diante do aumento de focos de incêndio no estado de São Paulo. Os palestrantes apresentam alternativas de recuperação de pastos apícolas e proteção de colônias afetadas pelo fogo.
A aplicação prática de conceitos agroflorestais em áreas públicas encerra as sessões de palestras. O tema traz a experiência de manejo de florestas produtivas para abastecimento público de alimentos e conservação da biodiversidade regional.
As atividades foram precedidas por oficinas práticas realizadas na sede da CATI, em Campinas, e em polos regionais de Botucatu, São Paulo e São Sebastião. O público participou de capacitações em manejo de abelhas nativas, confecção de produtos com própolis, preparo de biofertilizantes e construção de canteiros de ervas.
As inscrições para acompanhar as sessões técnicas do evento permanecem disponíveis por meio do portal oficial do Instituto Agronômico de Campinas. Neste LINK.