
A sequência de valorizações registradas no mercado de soja durante o mês de setembro perdeu ritmo no início de outubro no mercado físico brasileiro. A desaceleração decorre da forte pressão negativa observada nas cotações internacionais negociadas na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). No entanto, o recuo dos preços domésticos não acompanhou a mesma intensidade das perdas externas, contido pela sustentação dos prêmios de exportação nos portos nacionais.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a sustentação dos prêmios de embarque operou como um amortecedor para as cotações pagas aos produtores brasileiros. A valorização do dólar frente ao real e a demanda aquecida nos terminais portuários impediram uma transmissão integral do tombo internacional para o mercado físico interno.
Com a liquidez em ritmo mais lento nas praças de comercialização spot, tanto vendedores quanto compradores adotaram postura de cautela antes de fechar novos lotes do grão.
Resistência nacional: Os prêmios de exportação elevados nos portos brasileiros evitaram o repasse integral da desvalorização de Chicago para as cotações físicas do grão no país.
O redirecionamento das cotações na Bolsa de Chicago reflete o avanço acelerado dos trabalhos de colheita da safra 2026/2027 nos Estados Unidos. A entrada dos grãos norte-americanos no circuito de abastecimento global amplia a oferta disponível no curto prazo, pressionando os contratos futuros da commodity nas posições de vencimento mais próximo.
O ambiente de negócios no mercado futuro sofreu impacto adicional após as negociações bilaterais entre Washington e Pequim avançarem sem a inclusão de acordos sobre tarifas alfandegárias para a soja. A ausência de margem tarifária preferencial para a produção norte-americana desestimulou compras de oportunidade por parte das tradings chinesas na CBOT.
Esse cenário reduziu a liquidez dos contratos futuros e provocou uma correção de preços no mercado internacional, revertendo os ganhos acumulados pela commodity ao longo do mês de setembro.
Avanço da colheita: O ingresso da safra 2026/2027 dos EUA no mercado global e a exclusão da soja do acordo tarifário entre Washington e Pequim impulsionaram as quedas em Chicago.
No ambiente doméstico, os prêmios de exportação mantiveram-se firmes nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), impulsionados pela necessidade de cumprimento dos programas de embarque do segundo semestre. A logística de escoamento ajustada e a demanda chinesa concentrada na origem brasileira durante a transição de safra deram suporte ao indicador nas praças do interior.
Mesmo com a retração na liquidez do mercado spot brasileiro, os produtores rurais evitam a fixação de grandes volumes em momentos de volatilidade. A postura vendedora permanece focada no cumprimento de contratos antecipados e na gestão de custos da safra 2026/2027 em fase inicial de implantação no campo.
Pesquisadores do Cepea indicam que a evolução do ritmo de plantio no Brasil e as condições climáticas nas regiões produtoras do Centro-Oeste definirão a formação dos prêmios de exportação e a trajetória das cotações internas nos próximos meses.