Com foco no clima, 127 fazendas do RS iniciam a soja antecipada
Publicado em 15/10/2026 13h13

Com foco no clima, 127 fazendas do RS iniciam a soja antecipada

A Seapi autorizou o plantio antecipado de soja em 20,4 mil hectares no RS para mitigar riscos climáticos e otimizar o calendário produtivo.
Por: Leonardo Gottems

A antecipação da semeadura da soja no Rio Grande do Sul alcançou 20.462,8 hectares distribuídos em 127 propriedades rurais espalhadas por 35 municípios. A medida autorizada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) permitiu que produtores iniciassem os trabalhos no campo a partir de 15 de setembro, duas semanas antes da abertura oficial do calendário agrícola no estado.

A liberação atende a um pleito do setor produtivo gaúcho, concentrado na região de Santa Rosa e na faixa oeste do estado. Nessas localidades, as adversidades meteorológicas e a irregularidade das chuvas registradas durante as fases de floração e enchimento de grãos nas safras recentes causaram perdas de rendimento e necessidade de replantio nas lavouras.

A adequação das datas busca sincronizar os estágios mais críticos do desenvolvimento da cultura com os meses de melhor índice pluviométrico nas regiões produtoras.

Antecipação no campo: A Seapi autorizou o plantio antecipado de soja em 20.462,8 hectares no Rio Grande do Sul, cobrindo 127 propriedades de 35 municípios.

Plano de manejo da ferrugem asiática e amparo legal

O procedimento operacional foi estruturado pela Seapi em observância às diretrizes da Portaria SDA/Mapa 1.124/2024, expedida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Para obter a autorização excepcional de semeadura, cada produtor rural teve que protocolar junto ao órgão estadual um plano detalhado de manejo da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), considerada a principal ameaça sanitária para a cultura da soja.

A fiscalização do cumprimento das medidas sanitárias mobiliza a estrutura do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi. Os técnicos monitoram a eventual ocorrência de focos do fungo nas áreas semeadas mais cedo, enquanto a equipe da Emater acompanha o desenvolvimento das lavouras e mensura os índices de produtividade obtidos ao longo do ciclo.

Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, a demanda por antecipação na faixa oeste decorre da necessidade de garantir umidade no solo durante a floração. O acompanhamento técnico avaliará os impactos agronômicos do plantio antecipado na região.

Exigência sanitária: Os produtores autorizados apresentaram um plano de manejo específico para prevenir a disseminação da ferrugem asiática.

Exclusão do Zarc e ausência de cobertura do Proagro

Apesar do respaldo estadual para o início dos trabalhos, a Seapi emitiu um alerta sobre as implicações financeiras e securitárias para os agricultores que aderiram à medida. As áreas cultivadas antes do período regular não possuem enquadramento nas diretrizes do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), instrumento federal que define as janelas de plantio com base em dados de solo e clima.

Sem a validação do Zarc, os produtores rurais que optaram pela semeadura antecipada perdem o acesso aos mecanismos públicos de proteção financeira. Em caso de sinistros provocados por estiagem, granizo ou excesso de chuvas, essas lavouras não contam com a cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

A ausência de cobertura do Proagro exige que os proprietários rurais assumam integralmente o risco climático sobre os mais de 20 mil hectares implantados antecipadamente no território gaúcho.