Alta do petróleo e dólar pressionam custo do transporte rodoviário
Publicado em 27/10/2026 10h28

Alta do petróleo e dólar pressionam custo do transporte rodoviário

A defasagem no preço do diesel supera a subvenção federal e eleva o risco de reajustes concentrados nos fretes do agronegócio brasileiro.
Por: Wisley Torales

A estrutura de custos do agronegócio brasileiro enfrenta nova ameaça com o acúmulo da defasagem nos preços do óleo diesel em relação ao mercado internacional. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a diferença entre o preço praticado no mercado interno e a paridade de importação atingiu R$ 3,53 por litro no dia 22 de outubro. Esse valor superou o teto da subvenção concedida pelo governo federal, fixada em R$ 3,52 por litro.

O combustível registrou um período de 145 dias sem reajustes nas refinarias da Petrobras, mantendo os valores praticados abaixo da cotação internacional. Segundo a avaliação do economista André Galhardo Fernandes, o acúmulo dessa diferença aumenta a probabilidade de reajustes mais intensos e concentrados quando a tabela for atualizada, impactando o custo do transporte rodoviário de cargas no país.

A pressão sobre as refinarias decorre da disparada do petróleo no mercado global. O barril do tipo Brent alcançou a marca de US$ 117 na última semana de outubro, enquanto a lei orçamentária de 2026 projetava uma cotação média de US$ 64 por barril. A receita adicional obtida com a exploração de petróleo vinha financiando o programa de subsídios aos combustíveis.

Defasagem nos preços: A diferença entre o diesel nacional e o importado chegou a R$ 3,53 por litro, superando o valor do subsídio federal.

Equilíbrio fiscal do subsídio e impacto do dólar

Estimativas da instituição financeira XP indicam que os gastos do governo federal com a subvenção ao diesel e à gasolina somam R$ 9 bilhões por mês. A análise aponta que o ponto de equilíbrio fiscal do programa situa-se próximo de US$ 105 por barril de petróleo. Uma eventual retração nas cotações para a faixa entre US$ 80 e US$ 100 reduziria a arrecadação extraordinária do governo, mantendo a despesa elevada e a defasagem acumulada.

Além do preço da commodity energética, a valorização do dólar frente ao real amplia a distância em relação às cotações internacionais, mesmo nos momentos em que o petróleo permanece estável. A flexibilização fiscal que autorizou o modelo atual de subvenção possui validade restrita ao ano de 2026, exigindo aprovação de nova licença no Congresso Nacional para a sua continuidade.

O avanço dos preços dos combustíveis repassa pressão direta sobre o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) industrial, que já apresentava aceleração nos preços praticados no atacado.

Custo do frete: O diesel representa o principal componente do transporte rodoviário, repassando custos para o escoamento de grãos e carnes.

Reflexos diretos na logística e no escoamento do agro

O transporte rodoviário responde pela movimentação da maior parte da safra de grãos e da produção de proteínas animais no Brasil. Para o setor agropecuário, o risco imediato reside na transferência do custo do combustível para as tabelas de frete praticadas por transportadoras e caminhoneiros autônomos durante o escoamento da produção.

O economista André Galhardo Fernandes ressalta que a relevância do combustível na matriz de custos logísticos transforma qualquer alteração de preços em um fator de encarecimento geral da cadeia produtiva.

A definição das políticas de preço da Petrobras e a evolução dos subsídios estatais continuam sendo monitoradas por cooperativas e tradings para o planejamento logístico da próxima safra.