A representatividade da ovinocaprinocultura durante a ExpoLondrina mostra um incremento ano após ano, sendo que nesta 55ª edição são cerca de 600 animais expostos, o dobro do ano passado. As principais raças são de ovinos Ile de France, Texel, Santa Inês, Dorper, White Dorper, Suffolk e Pool Dorset. As de caprinos são Boer (carne) e Saanen (leite). A feira já é considerado por especialistas e produtores como um local propício para negócios e, principalmente, capacitação técnica para quem está interessado em investir nesses animais.
O diretor de ovinocultura da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Luiz Fernando Cunha Filho, explica que não há raças novas expostas em comparativo ao ano passado, mas salienta que o volume de animais aumentou. Ele mesmo trouxe 35 cabeças da raça Ile de France e ressalta a grande procura de produtores interessados em ingressar na atividade. "Estamos tendo uma procura enorme de pessoas que querem comprar animais. Muitos criadores, inclusive, não vieram para a exposição porque venderam todo o rebanho a preços muito bons. A crise está longe da atividade, que continua muito forte", relata Luiz. "O produtor precisa apenas se capacitar mais, por isso essa agenda técnica intensiva durante a feira", complementa.
Durante todo o dia de ontem, a programação da Expo contou com diversos eventos técnicos tanto no período da manhã como por toda a tarde. Foi realizado o "3º Ciclo de Palestras em Ovinocaprinocultura", lotando o auditório Milton Alcover. As palestras trataram do manejo de neonatos de pequenos ruminantes, sanidade, eficiência e controle de verminose, reprodução convencional e com biotecnologias e qualificação da mão de obra na ovinocultura.
Já no período da tarde, aconteceu ainda um curso do trabalhador na ovinocultura, ministrado pela zootecnista Jaciane Beal Klank, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. O curso, que segue até sexta-feira, é teórico e prático, voltado principalmente para o manejo dos animais.
A produtora, Rachel de Paula Graciano Leite, trabalha com ovinos há dois anos, em Nova Fátima (Norte), e junto com o marido, investiu em 40 cabeças da raça Dorper. "Estou no curso principalmente para aprender sobre o manejo, que acho um pouco complexo. Nossa ideia é poder comercializar os animais no futuro para manter nossa propriedade, que adquirimos mais para o lazer da família".
Criador de carneiros há 40 anos, o caseiro Geraldo Bento dos Santos trabalha na fazendo Alto Alegre, em Cambé. Ele está realizando o curso incentivado pelos patrões, que resolveram investir na atividade, focando principalmente na ovinocultura de corte. "Não são animais que dão muito trabalho de manejo. Mas precisamos sempre nos capacitar para lidar principalmente com as verminoses, que atacam demais os ovinos."
E a programação não para por aí. No sábado, realiza-se o 1º Seminário Paranaense de Ovinocultura Leiteira, produção que ainda tem poucos adeptos no Paraná. O evento tratará das particularidades do leite de ovelha, a viabilidade econômica da atividade, a importância da mastite em ovelhas e medidas de prevenção e, por fim, a qualidade do leite de ovelha em relação aos seus aspectos físicos, químicos e microbiológicos.