Este ano 73 animais, entre machos e fêmeas participam da Exposição Morfológica Passaporte de Campo Grande, que garante aos vencedores a participação na grande final da Morfologia, que será realizada na Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul. A feira será realizada de 29 de agosto a 06 de setembro.
Além dos animais que participam da avaliação na categoria oficial, pelo menos 30 também foram apresentados na categoria incentivo. A informação é do presidente do Núcleo dos Criadores de Cavalos Crioulos de Mato Grosso do Sul, Edmundo Rodrigues Filho, que destacou o interesse dos produtores pela raça. “Esses animais ainda são muito jovens, praticamente acabaram de ser desmamados, então fazemos apenas uma apresentação como forma de incentivar para que eles participem do julgamento quando adultos”, explicou. Na avaliação do presidente os produtores tem se interessado pela Raça Crioula, prova disso foi o sucesso do Leilão realizado na sexta-feira (1º/05), quando os 45 lotes ofertados foram vendidos.
A raça
Levantamento da ABCCC (Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Crioulo) aponta que os cavalos, de cuja genética descendem os crioulos, são ambos de origem ibérica; o andaluz e o rocine. Estes animais eram conhecidos pela valentia e pela resistência – características que os levaram a serem os escolhidos pelos espanhóis para atravessar o oceano.
Ainda que com o tempo os animais tenham se espalhado e vivido em estado selvagem, não é em toda América que suas características foram preservadas. Nos Estados Unidos e México, os animais acabaram desaparecendo devido às constantes batalhas militares e cruzamento com outras raças. Já na Colômbia e Venezuela, as altas temperaturas, a alimentação e a geografia local alteraram em muito a aparência e a estatura dos cavalos.
Foi na região sul das Américas, pegando uma parte do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, que o crioulo teve condições propícias para desenvolvimento, chamando atenção dos criadores da região. Apenas no século XX o animal teve reconhecimento mundial, com a criação das primeiras associações e o início do melhoramento genético e sucesso nas provas esportivas.
No MS
O Centro-Oeste brasileiro tem se destacado no cenário do cavalo Crioulo em todo o Brasil. Em 2014, conforme dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), a região teve um crescimento de 12,3% no plantel, chegando a 6,67 mil animais. Percentualmente foi o maior crescimento entre as regiões brasileiras, sendo que no país, no ano passado, a evolução foi de 7,3%.
Neste cenário, o Mato Grosso do Sul foi o estado do Centro-Oeste que teve maior destaque. A alta na manada de equinos da raça Crioula foi de 14,6%, chegando a 2,38 mil animais no território sul-mato-grossense. Para Rafael Sant'Anna, técnico da ABCCC que atende a região, muito se deve ao investimento dos criadores que buscam animais de qualidade para participar das exposições morfológicas que são realizadas pelo núcleo do estado. "Com as exposições morfológicas que começaram a acontecer, os criadores procuraram elevar o nível dos animais na região. A busca por animais com correção de linhas morfológicas e consistência genética vem crescendo", observa.