Proibição do glifosato ameaça plantio direto no Brasil
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Publicado em 14/05/2015 14h35

Proibição do glifosato ameaça plantio direto no Brasil

Para o Ministério Público Federal, os herbicidas à base de glifosato devem ser banidos do mercado por alguns estudos internacionais apontarem que esses produtos são cancerígenos.
Por: Agrolink

14.05.2015 plantacao

Tal medida, no entanto, poderia ameaçar uma das mais importantes práticas agrícolas no país, o plantio direto. Em lavouras do sul do país, geralmente o produto é aplicado depois da soja e antes do plantio de trigo para acabar com as ervas daninhas. A palhada da soja, neste caso, protege o solo para o cultivo de trigo, segundo o que a diz a recomendação técnica do plantio direto.

De acordo com o engenheiro agrônomo Rodrigo Ambrosio, o uso de produtos à base de glifosato é imprescindível para uma agricultura mais eficiente. "Foi um ganho a gente conseguir fazer o produtor utilizar o plantio direto. A partir do momento em que começa a preparar a terra, você tem um custo mais alto, do preparo da terra, e uma perda da qualidade ambiental, com relação à erosão. E com a soja, com certeza, iria sobrar mais mato e ter uma concorrência maior de plantas daninhas com a soja, acarretando em diminuição da produção", explicou Ambrosio em entrevista ao Canal Rural.

Dionízio Gazziero, pesquisador da Embrapa, lembra na reportagem que o glifosato passou a ser usado como pós-emergente após o desenvolvimento dos transgênicos. Com as cultivares RR, usadas em 90% da produção de soja no país, há resistência ao herbicida.

"O glifosato é um produto não seletivo de amplo espectro, e quando eu falo não seletivo é porque ele mata todas as plantas [daninhas]. A partir de 2005, ele começou a ser usado na soja em pós-emergência como um produto para controlar as plantas que nascem dentro da cultura da soja", explanou Gazziero.

O glifosato foi criado pela Monsanto, empresa com sede em Creve Coeur, Missouri. O produto está registrado em 160 países e não há nenhuma restrição a seu uso relacionado à toxicologia. A Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) teme perdas financeiras caso o produto realmente fique indisponível no mercado brasileiro.