Investidor: Acompanhe os principais cenários econômicos
Publicado em 28/05/2015 15h42

Investidor: Acompanhe os principais cenários econômicos

Apesar da economia americana mostrar sinais de desaceleração, o que deve retardar ainda mais o provável aumento de sua taxa de juros, o que é positivo para nós, a fragilidade da área política brasileira permanece como principal contraponto de risco no cenário atual, emperrando o tão necessário ajuste fiscal. Com isso, a curva da taxa de juros de longo prazo, que em outras circunstâncias já teria cedido ao logo de uma recessão anunciada e uma taxa Selic no patamar de 13,25%, permanece insistentemente elevada. A definição da queda de braço política deverá ditar a trajetória do mercado nacional, porém o desfecho não nos parece tão próximo.
Por: Mário Carvalho, Gestor habilitado pela CVM - Responde pela gestão de fundos de investimento da More Invest Gestora de Recursos Ltda. – São Paulo/SP, contato@moreinvest.com.br, www.moreinvest.com.br

EUA

A principal dúvida em relação à economia americana fica por conta da trajetória do crescimento neste ano. Caso se repita o percurso do ano passado com um crescimento mais vigoroso no segundo semestre e este resulte em uma pressão inflacionária consistente, poderemos ver a autoridade monetária iniciar o já tão esperado ciclo de aumento na taxa de juros. Caso contrário, o aperto monetário deverá ficar postergado para o ano de 2016. Até lá, a Bolsa americana deve permanecer em tendência de alta, mesmo que isto represente múltiplos elevados.

Zona do Euro

O processo pelo qual passa a Zona do Euro é de recuperação lenta, num cenário que tende a apatia. O dinheiro deve continuar fluindo de forma bastante benevolente na região o que deverá impulsionar as Bolsas. No médio prazo, o Euro deve se deslocar para um ponto de equilíbrio abaixo €/US$ 1,0.

China

A economia chinesa vem se adaptando aos novos tempos de baixo crescimento mundial. Baixou pela terceira vez sua taxa de juros, ampliou seu estoque de commodities, efetua ações geopolíticas positivas de forma pontual e tenta fortalecer seu mercado interno. E o novo nível de crescimento deve se situar na casa dos 5%. Menos mal.

Brasil

O Brasil vive um período particularmente difícil. A presidente Dilma apresenta um dos piores índices de aprovação por parte da população da história republicana. É consenso geral que a administração fazendária de seu primeiro mandato foi um grande fracasso e com isso seu governo perdeu poder político. Teve que delegar para a ortodoxia a economia e para a negociação a política. E aí vivemos entre um governo fraco, necessitando ajustar a economia com medidas impopulares a mercê de um Congresso dividido. O resultado disso segue basicamente dois caminhos mais prováveis. No primeiro, a área política entra em consenso, por susto ou temor da necessidade do ajuste e então teremos uma recessão planejada. No segundo, o dissenso prevalece na política e o mercado se encarregará de fazer o ajuste, com uma profunda recessão. A perspectiva, portanto, é de que a recessão chegará de uma forma ou de outra. Basta saber o horizonte após a recessão e é aí que a taxa de juros persiste em não cair no longo prazo. Dependendo da trajetória a ser ditada pela área política, o longo prazo pode não ser suficientemente curto.

Juros

TABELA - JUROS

Apesar da turbulência política e a vacância de poder, o conservadorismo deverá prevalecer. E não existe partido melhor para trilhar esta aventura messiânica do que o PMDB. Mesmo que, as pedras no caminho se mostrem grandes de mais, os políticos do PMDB tem uma enorme capacidade para achar os desvios. A resultante disto é que a taxa de juros de longo prazo deverá ceder. Mesmo que no curto prazo ocorram alguns sofrimentos, a posição vendida na taxa de juros de longo prazo deve prevalecer como ganhadora. Basta ter estomago.

CURVA DI

Câmbio

Enquanto não ocorre uma definição política no curto prazo, a taxa de câmbio fica ao sabor das notícias imediatas, flutuando entre US$/R$ 2,90 e US$/R$ 3,15. Quando o cenário se aproximar de uma definição, o canal deverá ser rompido. Nossa perspectiva de hoje é positiva e esperamos que o rompimento seja para baixo. 

TABELA - MOEDAS

GRAFICO DÓLAR

Bolsa

O cenário político, se é importante para os juros e o câmbio, para a Bolsa de Valores será crucial. Será a diferença entre a euforia de se comprar ações já muito e por muito tempo defasadas e estar num mercado no qual somente os “gringos” tem apetite. O resto é chute.

GRAFICO IBOVESPA DOLAR

 

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