Plantio de banana consorciado com milho e melancia anima produtores do Juruá
Publicado em 08/06/2015 16h25

Plantio de banana consorciado com milho e melancia anima produtores do Juruá

Mostrar que é possível obter alto rendimento em uma área cultivada com pouco mais de um hectare
Por: Mauricilia Silva / Embrapa Acre

Esse é o objetivo do trabalho realizado em uma Unidade Demonstrativa (UD) de banana da Embrapa no Juruá, localizada na propriedade do seu Sebastião Oliveira, na comunidade do Alto Pentecostes, em Mâncio Lima.

A implantação do bananal começou em junho do ano passado com o manejo do solo com o rolo faca, seguido da aplicação de calcário e dessecação da palhada com herbicida. Em setembro, foi feito o plantio de milho e, no mês seguinte, o de banana no meio do milharal.

Em abril desse ano, após a colheita do milho, o bananal ainda não sombreava a área, e isto possibilitou o cultivo consorciado de melancia, que vai gerar uma renda extra para o produtor até que o bananal comece a produzir. A condução do plantio de banana, com cerca de 1200 touceiras das variedades Thap maeo, Maravilha e Pacovan Ken, variedades recomendadas pela Embrapa e resistentes à sigatoka-negra, está sendo feita conforme as recomendações para o cultivo da fruta.

Segundo Marcelo Klein, supervisor do Setor de Transferência de Tecnologia do Juruá, é importante seguir a risca as recomendações técnicas de calagem, adubação de base e cobertura e desperfilhamento. "O preparo do solo e o cumprimento das etapas do manejo da cultura são fundamentais para aumentar a produtividade e possibilitar o cultivo de mais de uma cultura na área", comentou.

Em estudo recente, realizado pela Embrapa com produtores de banana, ribeirinhos do rio Juruá, na localidade de Praia da Amizade, município de Rodrigues Alves, observou-se que são colhidos entre 40 a 50 cachos por mês em bananais com dois a quatro hectares, representando menos da metade da produção ideal de um bananal implantado com recomendações técnicas adequadas.

Para Klein, os principais desafios para a bananicultura no Juruá são a introdução de variedades resistentes à sigatoka-negra e o manejo correto do bananal. "Apesar de os solos da região apresentarem uma fertilidade natural excelente, o manejo inadequado da cultura contribui para a baixa produtividade", acrescentou.

Como parte das ações firmadas nos contratos de cooperação técnica assinados entre a Embrapa Acre e as prefeituras do Juruá, com o auxílio das Secretarias de Agricultura e Escritórios da Seaprof dos municípios de Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Cruzeiro do Sul, foram distribuídas cerca de 23 mil mudas de variedades de banana recomendadas pela Embrapa  e resistentes à sigatoka-negra a produtores familiares da região.

Técnicos da Embrapa e da extensão rural visitam periodicamente as áreas dos bananais implantados e orientam produtores com relação ao manejo do solo e da cultura, de modo que possam aumentar a sua produtividade.

 

Produção de mudas

Outro objetivo da UD é que sirva de viveiro de mudas de banana resistentes à sigatoka-negra. O bananal implantado tem capacidade de produzir entre 12 e 24 mil mudas por ano que serão repassadas gratuitamente aos produtores da região.  

Seu Sebastião diz que a experiência está dando certo. "A idéia está vingando, vários vizinhos estão animados para repetir o modelo de plantio que adotei aqui e já encomendaram mudas do meu bananal", comentou o produtor.