MS: Importação de carne cresce 50% em meio à retração do setor pecuário
Publicado em 15/06/2015 16h00

MS: Importação de carne cresce 50% em meio à retração do setor pecuário

Apenas em Mato Grosso do Sul, dez frigoríficos encerraram as atividades em 2014 e 2015
Por: Osvaldo Júnior / Correio do Estado

boi vivo

Com a redução da produção e o consumo interno de carne bovina aquecido, o País aumenta, acentuadamente, a importação do alimento, ao mesmo tempo em que frigoríficos fecham as portas e as exportações despencam. Apenas em Mato Grosso do Sul, dez unidades frigoríficas encerraram as atividades em 2014 e 2015, e, somente neste ano, aproximadamente 2 mil trabalhadores foram demitidos. Enquanto isso, a compra de carne de outros países, sobretudo do Paraguai, cresce expressivamente. O volume do produto importado pelo Estado triplicou em cinco anos e, em relação a 2014, é 50,2% maior. As importações brasileiras da carne paraguaia, que entrou por Mato Grosso do Sul, dispararam em 113% na comparação entre os cinco primeiros meses deste ano e de 2014. 

Para analistas de mercado, esse quadro decorre da baixa oferta interna de gado e do aumento das operações dos frigoríficos brasileiros em outros países, como Paraguai e Uruguai. De acordo com o estrategista de pecuária de corte da Rural Business, Júlio Brissac, os frigoríficos brasileiros respondem, no conjunto, pela maior parte dos abates e das vendas externas da carne produzida no Paraguai. No Uruguai, três grupos brasileiros – JBS, Marfrig e Minerva – são responsáveis por 45% das exportações do produto. 

Enquanto elevam as operações em outros países, os frigoríficos brasileiros reduzem a produção interna. Entre outros fatores, esse movimento decorre do menor custo para se produzir fora (especificamente, nos países vizinhos) – a mão de obra é mais barata (por causa da precariedade da legislação trabalhista), a carga tributária é reduzida e outras despesas, como energia, também são, de modo geral, inferiores às do Brasil.