O destaque foi o bezerro, que se valorizou expressivos 30% na média do estado de São Paulo, em termos reais (IGP-DI de maio/15), com a média passando de R$ 1.071,58 (valor
corrigido) em junho/14 para R$ 1.394,08 no último mês – no acumulado do primeiro semestre, a valorização foi de 13,8%. Em Mato Grosso do Sul, o animal foi cotado na média de R$ 1.408,66 em junho/15, forte alta de 28,6% no comparativo anual e de 13% sobre dezembro/14, conforme o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (animal nelore, de 8 a 12 meses).
Para o boi gordo, a média do Indicador ESALQ/BM&FBovespa (estado de São Paulo) em junho, de R$ 146,19, superou em 14% a do mesmo período do ano passado, mas ficou 1,5% abaixo da de dezembro/14, também em termos reais. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada de boi teve média de R$ 9,40/kg em junho, o que significa 13,4% a mais que a média de um ano atrás e perda de ligeiro 0,2% no comparativo com dezembro.
O câmbio tem favorecido a receita, mas o volume acumulado no primeiro semestre, de 490,8 mil toneladas conforme dados da Secex, foi 16,4% inferior ao do mesmo intervalo de 2014. Em termos médios, o preço da carne in natura exportada em junho foi de US$ 4.398,90 ou de R$ 13.636,59. No comparativo com junho do ano passado, esses valores representam recuo de 18% em dólar, mas ganho de 13,6% em Reais – o dólar se valorizou 39% no período. Em Reais, a receita veio para R$ 1,23 bilhão, aumento de 17% na comparação junho do ano passado.
Apesar dos maiores patamares atuais, o clima não é de otimismo entre agentes do setor. Alguns frigoríficos deram férias coletivas para os funcionários, enquanto outros chegam a encerrar as atividades.
No mercado de reposição, especificamente, além do desestímulo à cria em anos anteriores, o volume relativamente baixo de animais reflete o clima adverso (falta de chuva) desde 2013, o que prejudicou a taxa de prenhez das vacas, o intervalo entre partos e o desenvolvimento de bezerros e garrotes. Com os recordes de preços, no entanto, a venda de matrizes tem diminuído, abrindo perspectivas de recuperação da oferta de bezerros no médio prazo.
O fato é que, diante dos altos valores da reposição – o bezerro é o principal insumo da pecuária de corte –, o poder de compra dos pecuaristas de engorda tem reduzido.
Movimentos da semana – A pressão compradora se intensificou nos últimos dias, agravando a liquidez que já vinha baixa. Pecuaristas que estavam negociando nos preços maiores recuaram, o que pesou sobre os preços médios, principalmente de segunda para terça-feira. Com isso, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo (estado de São Paulo) fechou a R$ 143,03 nessa terça-feira, 7, queda de 2% em relação ao dia anterior e de 0,5% sobre a terça passada.
No atacado da Grande São Paulo, o movimento de alta nos preços da carne com osso também perdeu força neste início de julho. Para a carcaça casada de boi, a valorização se limitou a 0,2% em sete dias, com o quilo cotado a R$
9,67 nessa terça-feira. O dianteiro se valorizou 1%, sendo comercializado na média de R$ 8,44/kg na terça; o traseiro e a ponta de agulha recuaram respectivos 0,3% e 0,4%, a R$ 11,13/kg e R$ 8,00/kg, nesta ordem. O preço da carcaça casada da vaca, por sua vez, teve pequena queda de 0,2% no intervalo de
30 de junho a 7 de julho, com o quilo negociado a R$ 9,13 nessa terça-feira.
Entre as carnes concorrentes, a suína foi a única a se valorizar nos últimos sete dias no atacado da Grande São Paulo, em 1%, com a média da carcaça comum passando para R$ 4,96/kg na terça. Já para o frango resfriado, houve desvalorização de 2,1%, com a média passando para R$ 3,38/kg.
Em junho, foram exportadas 90,5 mil toneladas de carne bovina in natura, 6,7% a mais que em maio e 3,3% acima do volume de junho/14, segundo dados da Secex. A abertura do mercado chinês para o Brasil – oito frigoríficos já estão aptos a exportar para aquele país – tem contribuído para elevar os embarques nacionais.
No mercado de bezerro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (MS) subiu 2,7% entre 30 de junho e 7 de julho, fechando a R$ 1.392,21 no dia 7. Em São Paulo, os preços caíram 1% em sete dias, com o animal a R$ 1.394,90 nessa terça-feira.
Analistas:
Prof. Dr. Sergio de Zen / Piracicaba - SP/Brasil Msc. Shirley Menezes / Piracicaba - SP/Brasil
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