Os problemas são a ocorrência de doenças nas plantas e as dificuldades de fazer pulverizações, uma vez que o solo está encharcado. O tráfego de máquinas é limitado e pode provocar danos ao solo, como a compactação. No cultivo de variedades mais precoces, o atraso pode significar perda de produtividade. No Planalto Catarinense, as chuvas excessivas provocaram a suspensão das atividades de semeadura direta. Assim, estima-se que apenas 60% da área de cultivo estava implantada em Santa Catarina até a primeira quinzena de julho.
Desde o início da safra, as avaliações preliminares dos técnicos do setor indicavam uma tendência de leve aumento de área cultivada, o que pode não se confirmar. Segundo o IBGE, na safra passada foram cultivados em Santa Catarina 19.351ha, com produção bruta de 474.709t e rendimento médio de 24.582kg/ha. Considerando as perdas pós-colheita na ordem de 30%, calcula-se que foram comercializadas apenas 330 mil toneladas. Segundo a Epagri/Cepa, o preço médio ponderado pago aos produtores catarinenses da safra 2014/15 foi de R$1,06/kg (Classe 3). Se considerarmos que houve 15% de classe 2, o preço médio cai para R$0,98 o quilo.
Os bons preços praticados no final da safra passada não estimularam aumento expressivo do cultivo no sul do Brasil. No Rio Grande do Sul a área cultivada na região de São José do Norte e Tavares deverá apresentar pequena redução. Os produtores estão descapitalizados, pois houve perda de 40% na safra anterior, e o restante foi vendido principalmente entre novembro/14 e janeiro/15, quando os preços recebidos estavam relativamente baixos. Na Serra Gaúcha a área deve manter-se, pois as colheitas e a remuneração dos produtores têm sido mais favoráveis nos últimos anos. No Paraná, o leve aumento na área plantada somente compensará a redução que ocorreu na jornada anterior.
Mercado atual
Os produtores de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e do Nordeste, que abastecem o mercado nacional desde maio, receberam valores entre R$2,00 e R$4,00 por quilo da cebola Classe 3. Os preços altos são o resultado da baixa oferta decorrente do encerramento precoce das safras sulinas e da quebra na produção argentina. No país vizinho as chuvas de verão prejudicaram os bulbos causando podridão e perdas elevadas. Com a quebra, houve necessidade de abastecer o mercado interno argentino, onde os preços estão muito atraentes. É provável que essa situação perdure até novembro. Assim, o volume exportado para o Brasil é o menor das últimas décadas, devendo ficar abaixo de 80.000t em 2015. Por outro lado, no mercado brasileiro a oferta deve aumentar já em agosto, quando se intensifica a colheita nas regiões paulistas de Monte Alto e São José do Rio Pardo, bem como de Cristalina, em Goiás.
Holanda bate recorde de exportação para o Brasil
As importações brasileiras de cebola no primeiro semestre deste ano alcançaram 187.000t. A Holanda, pela primeira vez na história, é o maior fornecedor, com 88.400t, superando a Argentina, que enviou 77.900t. Com a falta de cebola e o altos preços, a busca pelo produto foi grande. Também entrou cebola do Chile (14.200t), Espanha (5.900t), Nova Zelândia (453t) e do Peru (234t). Mas o que surpreendeu foi o produto holandês, que permaneceu no mercado brasileiro desde outubro de 2014. Para os holandeses, as vendas para o Brasil compensaram a perda do mercado russo, em função do boicote imposto como resultado da Guerra da Ucrânia. Em média, foi pago US$0,29 por quilo da cebola importada, ou seja, aproximadamente R$0,87kg por quilo. A esse valor devem ser acrescentados os custos de transporte, transbordo, taxas e seguro.