Produções extrativistas podem ajudar planos sobre alimentação, dizem especialistas
Publicado em 11/08/2015 11h33

Produções extrativistas podem ajudar planos sobre alimentação, dizem especialistas

As experiências de produção extrativista dos povos e comunidades tradicionais, ribeirinhas e indígenas da Amazônia são fundamentais para a implementação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e do Plano Nacional de Sociobiodiversidade, segundo o presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Amazonas (Consea-AM), Marc Arthur Loureiro Storck.
Por: D24AM.com

“Precisamos debater os produtos da sociobiodiversidade. Nós temos de estar preocupados com a cadeia produtiva do açaí, com o pirarucu, com nossos alimentos regionais e com nossa logística que é muito particular”, disse Storck, durante a 5ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Amazonas, na semana passada, em Manaus.

Conforme Marc Storck, com os planos, o governo federal pretende melhorar a segurança alimentar que, segundo ele, na região amazônica ainda é a pior do Brasil. “Todas essas discussões são importantes para avançarmos, para que a segurança alimentar e nutricional aqui possa ser qualificada”, disse.

O assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República, Selvino Heck, disse que ao mesmo tempo em que a Amazônia apresenta alguns indicadores sociais abaixo do restante do País, também é vista como fundamental para a solução dos principais problemas ambientais do Brasil.

“Estamos em uma situação boa, hoje, no Brasil, em termos de segurança alimentar e nutricional, em relação a outras épocas, mas, ao mesmo tempo, temos enormes desafios. Por exemplo: discutir a questão dos transgênicos, dos agrotóxicos, a questão do consumismo exagerado de produtos ultraprocessados”, disse Heck.

Uma preocupações dos especialistas é definir o conceito de ‘comida de verdade’ para definir políticas de alimentação adequada e saudável. “Vencemos a fome, mas precisamos debater temas como a obesidade, os problemas que a má alimentação pode causar”, endossou Marc Stock. “Temos que pensar em termos de estratégia, como por exemplo, se a nossa opção é por um alimento transgênico ou orgânico. Se nossa opção é por um alimento que é produzido de forma insustentável ou sustentável. Se esse alimento é ultraprocessado ou é um produto natural. São essas escolhas que temos de debater”, disse Stock.

O conceito de alimentação saudável, definido no evento, é o de acesso permanente e regular a alimentos produzidos de forma socialmente justa, ambientalmente sustentável e livres de contaminantes físicos, químicos e biológicos e de organismos geneticamente modificados.