Polícia investiga morte de indígena após chegada de fazendeiros em MS
Publicado em 29/08/2015 19h50

Polícia investiga morte de indígena após chegada de fazendeiros em MS

Coordenador da Funai de Ponta Porã informou que índio levou três tiros. Segundo sargento do DOF, cerca de 50 índios estavam armados com flechas, facões e facas na propriedade. Já o grupo de fazendeiros estava sem armas.
Por: G1 - TV Morena

g1 indios

A polícia investiga a morte de um indígena após um grupo fazendeiros irem até a fazenda Fronteira, na região de Antônio João, neste sábado (29). Segundo informações do Departamento de Operações da Fronteira (DOF), o corpo estava todo ensanguentado e ainda não é possível dizer as circunstâncias da morte do indígena.

O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Ponta Porã, Helder Ribas, afirmou que a vítima foi morta com três tiros. Porém, o sargento Júlio Arguelho do DOF, que está na propriedade, disse ao G1 que não viu nenhum ferimento no corpo que indique a causa da morte. No entanto, ele não descartou a possibilidade da vítima ter sido assassinada.

O sargento contou que o corpo foi entregue aos policiais por um grupo de indígenas por volta das 15h30 (de MS), pouco depois da chegada de 40 fazendeiros para recuperarem a área. Naquele momento, aproximadamente 50 índios armados com flechas, facões e facas ocupavam a propriedade. Já o grupo de fazendeiros estava sem armas, segundo ele.

"Eles [índios] vieram de trás de uma casa próxima a um rio arrastando o corpo. Colocaram aqui perto da porteira onde nós estamos. O corpo está todo ensanguentado", relatou o sargento.

O proprietário conseguiu chegar até a sede da propriedade com apoio do grupo e "por pouco não houve confronto com os indígenas", destacou o sargento. Ao todo, desde às 13h30 (de MS) 16 veículos dão apoio à segurança na área de conflito indígena, sendo 10 da Força Nacional, quatro carros do DOF, um da Polícia Militar e outro da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O grupo de fazendeiros deixou a propriedade por volta das 16h escoltado pela Força Nacional. O proprietário e os índios permanecem na fazenda. A situação da área já foi controlada e não há informações de confronto.

Retomadas
Os fazendeiros que tiveram propriedades ocupadas deram início ao processo de retomada da sede da fazenda Barra na tarde deste sábado. De acordo com a Polícia Militar de Antônio João, eles decidiram retomá-las 'à força' após uma reunião com autoridades políticas no Sindicato Rural da cidade.

Ocupação
Segundo a PM, já são nove propriedades ocupadas, ao todo, por aproximadamente 1.000 índios da aldeia Marangatu. Há a suspeita de que índios paraguaios também estejam entre eles e ajudaram nas invasões.

Nesta semana, proprietários de terras já bloquearam três vezes em protesto na MS-384, entre Antônio João e Bela Vista. O último bloqueio ocorreu na tarde de sexta-feira (28). Além disso, cerca de 14 famílias de não-índios foram retiradas por indígenas da aldeia Campestre.

Os dois postos de combustíveis do município continuam sem vender combustível em qualquer tipo de recipiente, conforme a PM. A medida de segurança que pretende evitar incêndios durante o conflito não tem prazo para ser suspensa.

Ataque a jornalistas
Cerca de 20 índios atacaram um carro de reportagem da TV Morena neste sábado, em Antônio João. Eles tentaram abrir a porta para tirar os dois jornalistas que ocupavam o veículo. O motorista saiu do local e ninguém ficou ferido.