Porém, para o especialista, a falta de liderança política freia o desenvolvimento do País e do setor. “Não temos liderança no País, seja no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário”, destacou o palestrante para uma plateia de 1,7 mil pessoas, composta por produtores rurais, acadêmicos e profissionais de áreas relacionadas ao setor e de lideranças políticas e do agronegócio.
“A presidente Dilma Rousseff perdeu a credibilidade, terceirizou a economia e hoje estamos à deriva”, salientou Rodrigues, enfatizando que apesar do crítico cenário, o Brasil faz parte de um grupo seleto de países com grande potencial econômico. “Em 2014, o setor respondeu por 24% do PIB – Produto Interno Bruto, 30% dos empregos e 43% das exportações”.
Arrancando aplausos da plateia, Rodrigues falou da responsabilidade que o País tem de garantir alimentação a médio e longo prazo. “Até 2020, a produção agrícola mundial tem que crescer 20% para não haver fome mundial. No Brasil, o volume produzido tem que aumentar 40% para garantir a segurança alimentar e, consequentemente, a paz mundial”.
Em 25 anos, a produção agrícola brasileira cresceu 234%, enquanto que a área avançou 50%. Apenas no Centro-Oeste, o volume de grãos produzido aumentou 523%. “A agricultura brasileira é a mais sustentável do Planeta, com investimentos em tecnologia e pesquisa. Para o Brasil voltar a crescer, falta estratégia que contemple a logística, entre outros fatores”.
O palestrante Samuel de Abreu Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, doutor em Economia pela USP – Universidade de São Paulo, também participou do painel e falou sobre as causas da crise econômica que afetam o País. “Durante quatro anos, o Governo Federal foi empurrando problemas estruturais da economia para baixo do tapete”, salientou o economista que acredita que este ano o PIB deve cair 2,6%. Para o próximo ano, a previsão de redução é de 0,5%.
O painel foi moderado pelo presidente da Famato – Federação da Agricultura e Pecuária de MT, Rui Prado, e teve como debatedor o presidente da Aprosoja Brasil – Associação dos Produtores de Soja, Almir Dalpasquale. O segundo painel tratará o tema ‘Importância da Pesquisa, Ciência & Tecnologia e Inovação da Agricultura’.
Sobre a Bienal - A Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central é vitrine do agronegócio da região Centro-Oeste. Traz para discussão os temas mais emergentes do setor e já está na agenda dos principais eventos agro do País. A vitrine do agronegócio vai mostrar as potencialidades do setor no Centro-oeste, considerado o eixo do agronegócio. É realizada a cada dois anos, rotativamente nas capitais dos Estados do Centro-oeste. A primeira ocorreu em Goiânia, a segunda em Cuiabá e agora é a vez da capital sul-mato-grossense. A Bienal é organizada pelas federações de agricultura e pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Mato Grosso (Famato), Goiás (Faeg) e Distrito Federal (Fape-DF).