As vendas foram feitas pelo site algrano, uma plataforma virtual que permite a conexão automática entre produtores e torrefadores.
A iniciativa foi de três amigos suíços que, em 2014, decidiram criar a “plataforma de comunicação direta entre produtores e torrefadores de café de todo o mundo que, além disso, permite que os agricultores contem com um novo canal de vendas para seu café de melhor qualidade”.
Em julho passado, o site se associou com os três produtores da Nicarágua (fazenda La Dueña, fazenda San Martín e fazenda Las Marías) e com a empresa Exportadora Atlantic, durante a Feira Mundial de Café.
O café vendido pelos três produtores somaram 21 sacas de 69 quilos – 1,449 toneladas. “E por esses dias, os grãos já devem estar rumo à Europa”.
Para o co-fundador do algrano, Christian Burri, disse que foi uma espécie de projeto piloto com o café de Nicarágua, mas considera que “foi uma experiência muito boa” e garantiu que a ideia é seguir trabalhando com produtores nicaraguenses.
De fato, Burri afirmou que criar um perfil no site não tem custo e permite aos produtores de café ter mais visibilidade nos mercados internacionais.
“A meta para o próximo ano seria aumentar a oferta para chegar a vários contêineres. Para cumprir com essa meta, vamos seguir desenvolvendo alianças com produtores, cooperativas e associações de produtores”.
Para Burri, há uma necessidade iminente de comércio direto entre torrefadores e produtores. “O número de torrefadores especializados em café de alta qualidade está se expandindo em todo o mundo e essas pequenas e médias empresas precisam se diferenciar, oferecendo café de origem e produtores específicos”.
O sistema funciona assim: durante seis semanas, os produtores apresentam seu café através de um “contêiner on-line” aberto na plataforma virtual. Os torrefadores podem pedir amostras e revisar um a um os grãos de café oferecidos na página para depois finalizar o pedido.
Depois de seis semanas, fecha-se o contêiner on-line e o site algrano permite ao exportador (no caso do café nicaraguense, a Exportadora Atlantic) preparar e enviar os grãos de café solicitados através da plataforma.
“É como um Facebook para produtores e torrefadores, que inclui um amplo mercado para vender seus produtos. Mediante a compilação de diferentes pedidos dos torrefadores que compram pequenas quantidades, podemos encher um contêiner e reduzir os custos associados com microlotes”, explicou outro co-fundador da iniciativa, Raphael Studer.
Entretanto, Burri explicou que um “Q-grader independente faz a avaliação da qualidade e a compartilha on-line na plataforma. Em um segundo lugar, os torrefadores podem pedir amostras, prová-las e compartilhar suas opiniões com o produtor e outros torrefadores. Essas opiniões foram muito positivas (para o café nicaraguense) e, além disso, encontram-se disponíveis on-line”.
O comerciante de café da Exportadora Atlantic, Víctor Beis, disse que a plataforma virtual “se transforma em uma solução perfeita e transparente para os torrefadores, produtores e exportadores”. Segundo Beis, o algrano possibilitará o sonho dos agricultores e torrefadores na hora de comercializar microlotes de alta qualidade diretamente.