Publicado em 09/08/2017 18h02

Brasil recebe pela primeira vez Congresso Latinoamericano de Acarologia

Tema escolhido para o evento, Saúde Única, ressalta interdependência entre saúde humana, animal e meio ambiente na busca por soluções integradas

acaro femea e macho

Fêmea e macho do ácaro quarentenário para o Brasil, Eutetranychus orientalis, em citros na Espanha. - Foto: Francisco Ferragut

A beleza histórica da cidade de Pirenópolis, no interior de Goiás, foi o cenário escolhido para sediar o III Congresso Latinoamericano de Acarologia (III CLAC), que acontece pela primeira vez no Brasil. O evento está sendo organizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade de Brasília (UnB) e pretende reunir cerca de 400 especialistas em Acarologia de todos os países da América Latina. O CLAC acontece a cada três anos e desta vez será realizado em conjunto com o VI Simpósio Brasileiro de Acarologia (VI SIBAC) no período no período de 29 de julho a 02 de agosto de 2018. Mais informações sobre os eventos já estão disponíveis no endereço http://www.sibac.net.br/, no qual brevemente serão oferecidas também as inscrições.

O evento vai reunir especialistas nacionais e internacionais para compartilhar conhecimentos e debater experiências em todas as áreas relacionadas à Acarologia. Já estão confirmados palestrantes da França, Israel e Holanda. Pesquisadores de outros países deverão ser incluídos na programação científica, que ainda está em fase de elaboração, como explica a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Denise Navia, que é a atual presidente da Sociedade Latinoamericana de Acarologia e do Congresso.

Denise explica que o tema do III CLAC será a “Acarologia para a saúde única” (do Inglês “One Health”). Trata-se de um conceito muito em voga atualmente porque reflete a interconectividade e a natureza global entre a saúde e o bem-estar dos homens, animais e meio ambiente.

O último século foi marcado por avanços significativos nas áreas de medicina humana, veterinária e meio ambiente. Mas, apesar dos vários pontos em comum entre essas ciências, elas tomaram rumos diferentes ao longo dos séculos, com pouco conhecimento compartilhado. O conceito de “saúde única” surge para “quebrar” a barreira artificial que separa esses campos, aumentando o saber comum em benefício da pesquisa, desenvolvimento e acesso da sociedade, de forma que o conhecimento e práticas adquiridas em um dos campos possam contribuir para o progresso dos outros. Como exemplo, podem ser citados os avanços obtidos na medicina humana com a descoberta de fármacos e vacinas em países desenvolvidos que podem gerar ferramentas e abordagens para doenças animais que continuam a assolar países em desenvolvimento e vice-versa.

O intuito é fortalecer a interconectividade e a natureza global entre a saúde e o bem-estar dos homens, animais e meio ambiente. Ao longo das últimas décadas, o conceito de “Saúde Única” se expandiu, tornando-se uma abordagem e, atualmente, é um movimento que vem ganhando apoio de instituições e organizações por todo o mundo. Essa visão holística tem como objetivo promover a saúde e o bem-estar no planeta por meio da prevenção de riscos e mitigação de problemas que se originam na interface entre humanos, animais e o meio ambiente como um todo.

Acarologia: natureza interdisciplinar favorece o conceito de “Saúde Única”

A Acarologia, devido à sua natureza interdisciplinar e multissetorial, tem muito a contribuir com os desafios apresentados pela Saúde Única. Segundo Denise, os ácaros (grupo que inclui também os carrapatos) apresentam surpreendente diversidade ecológica e estão presentes nos mais diversos ambientes, com amplo espectro de modos de vida. “Por isso, são organismos que podem influenciar fortemente a tríade saúde humana, animal e ambiental.

colonia de acaros

Colônias do ácaro Tetranychus ogmophallos e teia produzida pelos mesmos cobrindo amendoim forrageiro, Arachis pintoi. - Foto: Denise Navia

Entre as inúmeras linhas de pesquisa e desenvolvimento da Acarologia em consonância com o conceito de “Saúde Única”, podem ser citados estudos sobre a biodiversidade nos mais diversos ecossistemas; utilização de ácaros como bioindicadores da qualidade ambiental; manejo da resistência aos pesticidas; prospecção e utilização de agentes de controle biológico e desenvolvimento de novas tecnologias para controle de pragas; incremento de serviços ecológicos; prevenção e mitigação de impacto de bioinvasões; transmissão de agentes patogênicos que afetam a saúde humana, animal e vegetal; desenvolvimento e produção de produtos biotecnológicos com utilização médica, veterinária ou fitossanitária, entre outros.

A importância dos ácaros como pragas e também como organismos benéficos vem aumentando em todo o mundo, em especial nas regiões Neotropicais. As mudanças globais, como as climáticas e bioinvasões, tem contribuído para isso. Denise ressalta que a Acarologia brasileira vem se destacando internacionalmente, sendo referência para diversas linhas de pesquisa e desenvolvimento.

Ela acredita que a realização do Congresso tem muito a contribuir com os desafios apresentados pela “Saúde Única”. “Nosso objetivo, ao alinhar o evento a esse conceito holístico na América Latina é encorajar esforços colaborativos entre profissionais que atuam nas diversas vertentes da Acarologia, bem como desta disciplina com áreas correlatas, além de inseri-la neste movimento mundial”, afirma, lembrando que para isso, é fundamental reunir todos os profissionais, pós-graduandos e estudantes ligados à área de Acarologia e afins.

Inscrições estarão disponíveis em breve na página dos eventos na internet

Já existe uma página na internet para o III CLAC e VI SIBAG (http://www.sibac.net.br/), mas por enquanto, as inscrições ainda não estão disponíveis, o que deverá acontecer em breve. Enquanto isso, vale a pena conferir o espaço virtual, que traz informações sobre o local de realização dos eventos, que será a Pousada dos Pirineus, comissão organizadora, além de circulares e a contextualização acerca da escolha do tema. Questionamentos sobre o Congresso devem ser enviados à comissão organizadora, pelo e-mail: eabramides@terra.com.br.

Autoria: Fernanda Diniz | Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

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