Planta mais alta permite colheita mecânica
O Estado de São Paulo - 2010-02-03 11:15:32
O engenheiro agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria de Agricultura do Estado em Itapeva, conta que a colheita mecânica do feijão só se tornou possível depois que os pesquisadores conseguiram, por meio de um trabalho de seleção genética, alterar a arquitetura da planta.
"As variedades tradicionais apresentam a inserção das primeiras vagens muito próximas do solo, o que dificulta o corte pela máquina. Já nos novos cultivares, as vagens estão mais altas, possibilitando o corte sem perdas", explica o agrônomo. As plantas, segundo Silva, ficaram mais eretas e com menos folhas. As colhedoras também foram adaptadas para o corte raso.
ÁREAS PLANAS
Entre os cultivares adaptados estão o pérola e o rubi, feijões de cor desenvolvidos pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, e o feijão preto Iapar, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O agrônomo lembra que a colheita totalmente mecanizada é recomendada para médios e grandes produtores e apenas para áreas mais planas, com declividade de até 10%.
"Nos terrenos muito ondulados, a apanha manual ainda é mais eficaz", compara. De acordo com o agrônomo, a adesão à colheita com máquinas também tem relação com os preços do produto que, na atual safra, são considerados baixos.
Na semana passada, a saca de 60 quilos do feijão de cor estava cotada entre R$ 50 e R$ 65 para o produtor, conforme a qualidade, e a do feijão preto era comercializada a preços entre R$ 70 e R$ 75. "Com o preço baixo, os produtores tentam ganhar na redução de custo e a colheita mecanizada custa quase a metade em comparação com a colheita manual", explica Silva.
O Estado de São Paulo produziu, na safra 2008/2009, cerca de 3,7 milhões de sacas de 60 quilos de feijão, em área cultivada de 122 mil hectares. J.M.T.