
Pesquisador Miguel Gontijo: "O maior patrimônio do pecuarista é o solo". Foto: Guilherme Viana
Pegando como exemplo um dos principais problemas da pecuária brasileira – a degradação das pastagens – responsável pela falta de alimento para o gado, principalmente durante o período da seca, e por produtividades baixas por animal e área, a integração entre sistemas permite recuperar a fertilidade do solo, trazendo como benefícios diretos o aumento da capacidade de suporte das pastagens e maior produção de forragem e grãos.
Os resultados são expressivos. De acordo com o pesquisador Miguel Gontijo Neto, da Embrapa Milho e Sorgo, enquanto uma pastagem degradada tem capacidade de suporte de 0,5 Unidade Animal (UA) por hectare, a pastagem recuperada permite a lotação de até três animais na mesma área. Enquanto se produz três arrobas por hectare ao ano na pastagem degradada, consegue-se 15 ou mais arrobas na pastagem corrigida. O abate pode se dar aos 22 meses nessa condição ideal, ao contrário dos quatro anos necessários na pastagem degradada. E a produção de leite pode subir de mil litros por hectare por ano para 10 mil litros no mesmo período.
“O maior patrimônio do pecuarista é o solo. Sua conservação e a construção da fertilidade devem ser metas de todo produtor rural como meio de incrementar a produtividade e a sustentabilidade do sistema de produção. Se ele aumenta a eficiência do seu sistema produtivo, consequentemente terá mais renda”, reforça Gontijo. Antes de tudo é necessário fazer um planejamento detalhado das atividades, buscando sempre a diversificação. “Com isso, você não fica dependente das flutuações de mercado de uma única cultura ou de uma única safra”, completa Emerson Borghi, também pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. Os pesquisadores são unânimes em um dos alicerces do sistema: a adoção do plantio direto.
“A palhada mantém a umidade no solo. A matéria orgânica pode reter até vinte vezes o seu peso em água, como se fosse uma espécie de ‘esponja’, diminuindo o déficit hídrico para as plantas”, descreve Borghi. A Integração Lavoura-Pecuária e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta são opções de intensificação de sistemas produtivos. “O produtor sai de uma situação dependente do período chuvoso para trabalhar em mais duas estações do ano, na primavera e no outono”, reforça o pesquisador. “Antes de tudo, é essencial conversar com um técnico e começar bem, já que mudanças de rumo podem desestruturar economicamente o produtor”, completa o pesquisador Ramon Alvarenga.
De acordo com Miguel Gontijo Neto, no caso de sistemas de produção integrada onde haverá a inserção do componente arbóreo, o planejamento para a definição das espécies/cultivares e do arranjo espacial é fundamental. O plantio da espécie florestal deve ser feito de forma escalonada no tempo para diluição dos custos de implantação e redução do risco mercadológico, decorrentes de flutuações de preços do produto no momento da venda da produção. De uma maneira geral, o componente florestal se transforma em uma poupança de longo prazo para o agricultor e este deve buscar agregar valor à madeira produzida.
Abaixo, conheça algumas das vantagens da intensificação dos sistemas produtivos, mencionadas pelo pesquisador Emerson Borghi.
Por que intensificar?
A viabilização dos sistemas integrados nas propriedades rurais pode ser feita por meio de linhas de financiamento para investimento e custeio via Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono). Conheça aqui os detalhes.
SENAR – O tema foi debatido durante o seminário “Sistemas integrados de produção agropecuária”, que integrou a programação da 11ª SIT (Semana de Integração Tecnológica), realizada no final de maio na Embrapa Milho e Sorgo. Segundo o engenheiro agrônomo Fredson Ferreira Chaves, coordenador do evento, os técnicos do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) que participaram poderão utilizar os conhecimentos nas atividades de assistência técnica direcionadas aos produtores nas regiões de atuação, otimizando a divulgação dos benefícios da tecnologia. No total, participaram 214 produtores rurais e 10 técnicos da instituição.