Publicado em 20/10/2014 14h30 - Atualizado em 20/10/2014 14h33

Confinamento de bois deverá crescer no País

Depois da onda de fusões e aquisições deflagrada em 2007 no setor frigorífico, a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil deve passar por novas modificações profundas nos próximos dez anos. Essa é a expectativa do banco holandês Rabobank, um dos principais financiadores privados do setor de agronegócios.

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Conhecido por sua pecuária baseada na criação extensiva do gado bovino, com os animais tratados soltos no pasto, o Brasil já está pronto para fazer o sistema intensivo de engorda - conhecido como confinamento - "decolar", avalia o banco, em relatório assinado pelos analistas Renato Rasmussen, Adolfo Fontes e Bill Cordingley.

Pelas projeções do Rabobank, a participação da carne bovina oriunda de gado criado nos confinamentos passará do atual patamar de 10% para quase 20% em 2023, saltando de 0,9 milhão de toneladas de carne bovina para 2,5 milhões de toneladas. "Acreditamos que a indústria brasileira de carne bovina está à beira de uma mudança na direção de uma rápida intensificação", aponta o relatório.

Fazendo coro ao otimismo que os frigoríficos nacionais têm sobre o futuro do setor no Brasil, o Rabobank avalia que o Brasil, já o maior exportador global de carne bovina, reúne condições únicas para atender a crescente demanda global por carne bovina. Para tanto, porém, a pecuária brasileira terá de elevar sua produtividade, que hoje é baixa na comparação com EUA e Austrália, os principais concorrentes do Brasil.

É nesse contexto, portanto, que o Rabobank projeta o avanço dos confinamentos. "A resposta para o Brasil aumentar a produção de carne bovina é a intensificação dos confinamentos", diz o banco. Com a criação de bovinos em confinamentos na última fase de engorda - etapa em que o boi magro é alimentado até se tornar boi gordo - o peso médio do animal abatido nos frigoríficos é não só mais alto como a idade de abate é menor, elevando a produtividade.

Para elevar a criação de gado em confinamentos, a pecuária brasileira terá de investir em novas unidades. Pelas contas do banco, o país pode dobrar a atual capacidade estática de confinamento para 4,5 milhões de cabeças de bovinos até 2023, o que demandaria investimentos entre US$ 250 milhões e US$ 500 milhões nos próximos dez anos.

Com uma capacidade estática de 4,5 milhões de cabeças de gado, os confinamentos poderiam engordar 9 milhões de bovinos por ano, considerando duas etapas de confinamento. Atualmente, o sistema de confinamento no Brasil é usado predominantemente no período da entressafra, amenizando a menor oferta de gado criado no pasto.
Na avaliação do Rabobank, a necessidade de ampliar a produção de carne bovina no País não será o único fator de indução dos confinamentos nos próximos anos. Áreas de pastagens já vêm cedendo espaço nos últimos anos para a agricultura, em muitos casos mais rentável. Considerando ainda as restrições ambientais para que a pecuária avance sobre áreas de florestas, a solução é produzir gado em menor área, o que favorece os confinamentos.

O cenário de menores preços dos grãos como soja e milho - os principais insumos da ração dos bovinos no confinamento - nos próximos anos também é um duplo incentivo. De um lado, a atividade de confinamento é beneficiada pelo menor custo da dieta. De outro, agricultores também poderão ingressar na atividade de confinamento como forma de agregar valor. O Rabobank estima que a demanda adicional por grãos para ração totalizará 19,1 milhões de toneladas no ano de 2023.

Autoria: Gabriel Kabad

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