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Publicado em 02/06/2022 10h10

Diquat é alternativa e dispara no Brasil

Alternativa ao paraquat (proibido) na dessecação, herbicida tem demanda crescente.
Por: Leonardo Gottems

Com a proibição do paraquat no Brasil desde 22 de setembro de 2020, o diquat tornou-se uma das principais alternativas para a dessecação de culturas. Também está sendo cada vez mais importado, aumentando de 3.475 toneladas em 2019 para 4.940 toneladas em 2020, um aumento de 42% em apenas um ano, aponta artigo do portal especializado AgroPages.

Foi em 2021, porém, que a importação de diquat disparou para 9.843 toneladas, um aumento de nada menos que 550% em relação à demanda do mercado durante a última década. A demanda brasileira por diquat vinha sido relativamente estável nos últimos anos, atingindo um volume de mercado anual de cerca de 1.000 toneladas num mercado amplamente dominado pela Syngenta. 

“Olhando para os dois primeiros meses de 2022, a importação brasileira de diquat atingiu o valor de 2.705 toneladas, o maior nível da história e um aumento de 28% em relação a 2021”, apontam os autores Erwin Xue, manager do AgroPages, e Wu Zhonglu, manager da Nanjing Red Sun.

De acordo com eles, a situação real no mercado brasileiro é semelhante ao glufosinato, com os agricultores em geral reclamando da falta de diquat em 2021, especialmente suprimentos insuficientes da Syngenta. “O mercado apertado é atribuível em parte à mudança na área plantada de soja”, explicam. 

Dados do governo brasileiro revelaram que a área de plantio de soja atingiu 40,80 milhões de hectares em 2021/2022, um aumento de 4,1% em relação ao ano anterior. Uma vez que a colheita de soja no País requer a dessecação em 150 g/mu (1 mu = 667m2), a quantidade total de diquat necessária deverá ser de 18.000 toneladas. 

“Então, de acordo com a última estimativa de consultores brasileiros, 80% da soja do país necessita de dessecação, o que teoricamente sugere a existência de uma lacuna na oferta de diquat. Os principais fornecedores chineses de diquat são Red Sun, Yonon e Shandong Luba, com uma capacidade total de produção de cerca de 50.000 toneladas”, apontam os autores. 

Antes de 2017, as empresas chinesas não tinham registro no Brasil, onde o mercado de diquat era dominado pela Syngenta. Desde meados de 2018, a oferta de produtos chineses para o Brasil aumentou gradativamente. Em 2021, a oferta anual total da China subiu para 5.800 toneladas de diquat íon, superando o valor de 3.140 toneladas para a Syngenta, cuja oferta foi de 4.050 toneladas em 2020, uma queda de 22% por um tempo.

“Atualmente, a capacidade de produção de diquat na China ainda está aumentando rapidamente”, diz o artigo do AgroPages. De acordo com os dados, tanto a Red Sun, como a Yonon e a Luba estão ampliando suas instalações e capacidades produtivas de diquat em milhares de toneladas. 

“Após a conclusão desses projetos, a capacidade de produção de diquat pode se tornar muito superior à demanda do mercado. As importações do Brasil aumentaram significativamente nos últimos dois anos, mas ainda se prevê que o país tenha uma escassez de milhares de toneladas, calculada teoricamente de acordo com a área de plantio de soja. Se a nova capacidade de produção na China for gradualmente colocada em operação, e combinada com a incapacidade da Syngenta de controlar totalmente o mercado brasileiro de diquat, o aumento de preços no mercado brasileiro no segundo semestre do ano pode ser pequeno”, concluem.