Pecuária gaúcha: como o clima está impulsionando as pastagens de inverno
Publicado em 28/10/2025 10h28

Pecuária gaúcha: como o clima está impulsionando as pastagens de inverno

As condições climáticas favorecem o desenvolvimento das pastagens no Rio Grande do Sul, com aumento na oferta de forragem e boa rebrota, segundo a Emater/RS-Ascar.
Por: Redação

As pastagens no Rio Grande do Sul apresentaram um desenvolvimento satisfatório, impulsionado pelas condições climáticas recentes. O cenário, descrito no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (23), aponta para um aumento gradual na oferta de forragem e uma rebrota significativa, beneficiando a pecuária gaúcha.

O campo nativo, base forrageira de muitas propriedades, foi um dos que mais se beneficiaram do período, apresentando bom desenvolvimento. Em áreas de campo nativo melhorado, os produtores conseguiram manter lotações de animais adequadas e ganhos de peso satisfatórios, com o uso de sal proteinado em áreas mais entouceiradas.

As pastagens cultivadas de inverno, como o azevém, embora já em fase final de ciclo, com formação de sementes ou senescência, ainda foram aproveitadas para o pastejo animal em diversas regiões. A transição para as culturas de verão também avança no estado.

Nas áreas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), os técnicos da Emater relataram a retirada dos rebanhos e a dessecação da vegetação. O procedimento prepara o solo para a implantação das lavouras de soja e milho, este último destinado principalmente à produção de silagem para a alimentação do gado.

As pastagens perenes de verão, por sua vez, intensificaram seu processo de rebrota, ampliando a disponibilidade de alimento para os animais. A floração abundante da maria-mole (Senecio spp.) em algumas localidades gerou certa preocupação, embora a fase mais crítica para a intoxicação dos rebanhos já tenha passado.

Na região de Bagé, enquanto alguns produtores realizaram a colheita de sementes de aveia e azevém, o crescimento de pastagens como capim-sudão e milheto foi limitado pela falta de umidade e por temperaturas mais baixas. Em Maçambará, no entanto, as chuvas recentes favoreceram a germinação das pastagens anuais.

Em Caxias do Sul, o trigo teve duplo aproveitamento, sendo utilizado tanto para a produção de silagem quanto para o pastejo direto dos animais. Já na região de Erechim, a maior luminosidade e a umidade do solo beneficiaram o rebrote de espécies como Tifton, Jiggs e Estrela-Africana.

Na regional de Pelotas, a baixa umidade do solo levou alguns pecuaristas a interromperem o plantio de pastagens de verão, como o milheto. Em contrapartida, em Pinheiro Machado, o campo nativo apresentou uma oferta maior e de melhor qualidade para o rebanho. Em Ijuí, os produtores intensificaram o corte de plantas forrageiras para a produção de feno.