Metas climáticas avançam, mas redução de 17% é insuficiente
Publicado em 28/10/2025 20h47

Metas climáticas avançam, mas redução de 17% é insuficiente

Novas metas climáticas de 64 países podem reduzir emissões em 17%, mas relatório da ONU aponta que o avanço é insuficiente para cumprir o Acordo de Paris.
Por: Redação

As novas metas de emissão de gases de efeito estufa, apresentadas por 64 países, podem diminuir em 17% os impactos climáticos em relação aos níveis de 2019. Para 2030, a redução projetada é de 6% sobre o que havia sido proposto nas metas anteriores.

Os dados constam no Relatório Síntese das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), publicado nesta terça-feira (28) pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O documento avalia o avanço das ações dentro do Acordo de Paris.

O relatório, no entanto, foi elaborado com base nas metas atualizadas por menos de um terço das 198 nações que integram o tratado. Grandes emissores como China e Índia não estão entre os países que entregaram seus novos compromissos a tempo da análise.

Segundo o documento, se as novas NDCs forem cumpridas até 2035, a redução total de emissões pode chegar a 13 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e). O texto também aponta que as metas estão mais completas, incluindo temas como adaptação, financiamento e perdas e danos.

Apesar dos pontos positivos, especialistas apontam que o ritmo é lento. “Estamos gerindo uma crise sem a urgência de uma crise. Há algo de profundamente equivocado em celebrar uma queda de 17% nas emissões quando a ciência diz que precisamos de 60%”, critica Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa.

Para Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas do WWF-Brasil, o cenário é preocupante e indica que as ações estão sendo adiadas. Ele vê como promissora, contudo, a integração de medidas de adaptação, especialmente as baseadas na natureza. “Essas soluções reduzem custos, aumentam a resiliência das comunidades e trazem benefícios que vão muito além do carbono, como a manutenção da biodiversidade”, explica.

O financiamento para essas ações é um ponto central. Gustavo Souza, diretor sênior da Conservação Internacional, destaca a lacuna existente. “As florestas representam um terço da solução global para as mudanças climáticas, mas recebem apenas 3% do financiamento climático. Esse desequilíbrio precisa ser corrigido”, afirma.

Ele defende que mecanismos como mercados de carbono, REDD+ e o Tropical Forest Forever Facility (TFFF) ofereçam financiamento previsível para quem protege a natureza.

O Brasil, que sediará a COP30 em Belém, tem se empenhado em incentivar a entrega das novas metas pelos países. O país foi o segundo a submeter sua NDC atualizada. “O mundo ainda aguarda dois terços das novas NDCs e, a menos de duas semanas da COP30, mais países precisam submeter suas metas para sinalizar que a ambição coletiva está aumentando”, conclui Souza.