Mercado da soja: Brasil tem estoques baixos e pode não suprir China
Publicado em 03/11/2025 11h17

Mercado da soja: Brasil tem estoques baixos e pode não suprir China

Evento inédito conecta cooperativas dos ramos agropecuário e de transporte para fomentar negócios, debater a reforma tributária e o futuro do agronegócio.
Por: Wisley Torales

"Apenas a América do Sul tem condições de suprir a demanda mundial de grãos". Marcos Fava

Um evento estratégico reuniu representantes de cooperativas dos ramos agropecuário e de transporte com o objetivo de criar um ambiente para a prospecção de novos negócios e debater temas transversais aos dois setores. A iniciativa do Sistema OCB-MS (Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Mato Grosso do Sul),  buscou fortalecer a conexão entre os segmentos, que, apesar de interligados, ainda possuem um potencial de negócios pouco explorado.

A programação foi desenhada para abordar pautas de impacto direto nas cooperativas, como a reforma tributária e a Rota Bioceânica, um projeto logístico que promete transformar o escoamento da produção. O encontro contou com a presença de 17 cooperativas do ramo agropecuário, sete do setor de transportes e três do ramo de crédito.

"A ideia foi promover uma conexão entre os dois ramos. Percebemos que não há muitos negócios firmados entre eles e decidimos fazer um evento único para unir o agro e o transporte com temáticas que fossem transversais a todas", detalhou Fabrício Soares Rodrigues, coordenador de monitoramento do Sistema OCB-MS.

Além de cooperativas de todo o estado, o evento também contou com a participação de representantes de cooperativas do Paraná com atuação local. A diversidade de atividades econômicas foi um ponto alto, incluindo produtores de suínos, bovinos, soja e milho, além de transportadoras de cargas e de passageiros.

Cenário para milho e soja

Durante o evento, o especialista Marcos Fava Neves analisou o cenário para as principais commodities agrícolas. Segundo ele, a expansão das usinas de etanol de milho no Brasil estabeleceu um novo patamar de preços para o cereal no mercado interno.

"Quando você instala um complexo gigante de etanol de milho, meio que coloca uma base no preço do grão. Acredito que ele não vai mais cair de determinado piso, porque a demanda para fazer etanol compete com a cana e tem espaço para colocar", explicou Fava Neves.

Ele também destacou a crescente produção de DDG, coproduto do etanol de milho utilizado como ração animal. Para Fava Neves, o desenvolvimento de mercados para a exportação do DDG é fundamental para a rentabilidade do setor. "Se gerar muito DDG aqui e ele começar a ficar com preço muito baixo porque não tenho um canal internacional, isso vai dificultar a rentabilidade do etanol de milho".

Sobre o mercado da soja, o especialista comentou que, mesmo com a recente aproximação comercial entre China e Estados Unidos, o Brasil mantém espaço para expandir suas vendas. A preocupação, no entanto, está nos níveis de armazenamento do grão.

"O estoque do Brasil está baixo. Se os chineses precisassem comprar mais uns 20 milhões de toneladas do Brasil, provavelmente não teríamos o suficiente para entregar", pontuou Fava Neves. Para ele, o equilíbrio do mercado depende de um crescimento da oferta que não supere o avanço da demanda global.